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Emir Sader

Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

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Afinal, que mundo é este?

O mundo do século XXI é muito diferente daquele do século XX

"Salve o planeta", diz cartaz de manifestante (Foto: Reuters)

Em que mundo estamos vivendo, afinal de contas? Há tudo nele, de boas coisas a ruins, de claras a confusas, de denúncias e esclarecimentos, de interrogações e perplexidades.

Vivemos, em primeiro lugar, em um mundo em que o capitalismo vive uma crise aguda. Já não existe o esplendor do capitalismo norte-americano, exibindo a expansão aparentemente interminável da economia, da renovação tecnológica, da expansão dos empregos, representando o dinamismo e o que de mais avançado existia.

Foi o clima do século passado, especialmente no segundo pós-guerra. O bloco dirigido pelos Estados Unidos reunia o que aparecia como o mais avançado no mundo – a Europa Ocidental e o Japão.

O equilíbrio com o bloco soviético só se dava no plano militar, no acesso à bomba atômica. Não havia nenhuma dúvida de que os outros fatores – econômico, tecnológico, político – eram claramente favoráveis ao bloco ocidental.

Depois que o fim da URSS produziu a ilusão de que o mundo retornaria a um sistema unipolar, com a hegemonia única dos Estados Unidos, instaurou-se um novo mundo bipolar. Com um bloco ocidental enfraquecido, pelo debilitamento das economias norte-americana e europeia, enquanto o novo bloco, estruturado em torno dos Brics, apresentava mais dinamismo econômico – especialmente pela economia chinesa.

Dessa forma, o mundo do século XXI é muito diferente daquele do século XX. Neste século, há uma nova Guerra Fria, com dois blocos se opondo, mas com uma correlação de forças mais favorável aos Brics do que ao bloco ocidental.

Vivemos nesse mundo. Um mundo em que a América Latina já não é mais o quintal traseiro dos Estados Unidos. Países como o Brasil e o México lideram um bloco alternativo, antineoliberal e também oposto ao novo imperialismo do século XXI, representado pelo governo de Donald Trump.

Um mundo em que o declínio ou mesmo a decadência da hegemonia norte-americana no mundo é uma realidade inquestionável. Um mundo em que a Ásia aparece como o novo continente dinâmico.

Que projeções podemos fazer sobre a continuidade deste século? Tudo indica que esse novo cenário se estenda pelo menos por toda a primeira metade do século atual. Que, portanto, este seja o primeiro século em que a hegemonia norte-americana não é o elemento central. Mesmo se mantendo como uma grande potência, com força econômica e militar, já não possui o poderio político e tecnológico de que dispôs no século XX.

Um século marcado pela ascensão dos Brics, não apenas por contar com a força econômica da China, militar da Rússia e da capacidade de articulação política do Brasil. Conta já com a adesão de uma grande quantidade de países, entre eles países petrolíferos do Oriente Médio, anteriormente aliados dos Estados Unidos. A lista de outros países que pretendem ingressar nos Brics é grande e crescente.

Esse é o cenário do mundo em que vivemos, um mundo de virada fundamental no cenário político e econômico. Um mundo em que não apenas os Brics, mas especificamente países como o Brasil, o México e a China terão um papel cada vez mais importante.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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