Lula forte incomoda muita gente
'Lula projeta o Brasil como grande protagonista no mundo, e sua liderança na América Latina também se fortalece'
A assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia foi outra circunstância que obrigou o reconhecimento do papel de Lula na concretização desse acordo.
Os dirigentes da União Europeia vieram, primeiro, ao Brasil para se reunirem com Lula, reconhecendo a responsabilidade do presidente brasileiro nesse acordo, finalmente concretizado.
Mas a ocasião também permitiu que um jornal econômico como o Valor, que deveria viver da sua credibilidade, afirmasse, espantosamente, que Lula ficaria de fora da assinatura. Como se houvesse uma exclusão de Lula, e não a decisão do presidente brasileiro de enviar o seu chanceler, porque ele estaria ocupado com uma reunião de governo.
O significativo nesse tipo de observação, totalmente descabida, revela a atitude da grande mídia – ou de uma parte importante dela –, incomodada pelo favoritismo de Lula para ser reeleito para um quarto mandato como presidente do Brasil.
Por um lado, a oposição parece conformada com a reeleição de Lula. Concentra-se na possibilidade de manter o controle sobre o Senado e a Câmara, para poder dificultar um eventual novo governo de Lula.
Mas mesmo um setor do Centrão se aproxima do governo, incomodado com a possibilidade de ficar mais tempo longe do poder. Dessa maneira, um quarto mandato de Lula tem a possibilidade de contar com um Congresso não apenas menos ruim que o atual, mas no qual ele poderia contar, novamente, com uma maioria.
Lula me disse, quando lhe perguntei o que mais ele tinha aprendido ao terminar seu primeiro governo, que não se pode governar sem maioria. Desta vez, ele teve que governar sem maioria, fazendo acordos com o Centrão, tendo inclusive que incorporar alguns membros dessa corrente ao governo.
Para quem teve que governar, no mandato atual, sem maioria, Lula fez um muito bom governo. Manteve e intensificou as políticas sociais, consciente de que essa é a única forma de lutar contra as desigualdades que ainda caracterizam a sociedade brasileira. O país chegou à situação atual, considerada de pleno emprego, por ter atingido o nível mais baixo de desemprego de sua história.
A quem incomoda Lula forte? Em primeiro lugar, aos que defendem as políticas neoliberais, como é o caso do jornal Valor. Eles têm plena consciência de que Lula intensificará a prioridade das políticas sociais.
Incomodam-se também os que se dão conta de que Lula fortalecerá ainda mais seu peso como articulador internacional e, com ele, os Brics, como forma contemporânea de organização do Sul global.
Incomoda também a direita brasileira, que tem consciência de que o sucesso dos governos de Lula lhe permitirá eleger seu sucessor, provavelmente o ministro da Economia, Fernando Haddad.
Em suma, um Lula forte incomoda tanto que os meios de comunicação, o verdadeiro partido da direita brasileira, sempre tratam de, por um lado, subestimar o seu papel como principal responsável pelo sucesso atual do Brasil. Por outro, de buscar problemas em alguma declaração do presidente brasileiro ou em algum tipo de comportamento seu.
O Brasil de Lula vai bem, a economia vai bem, o país se projeta ainda mais no mundo como grande protagonista, e sua liderança na América Latina, junto ao México, se fortalece. Quem se incomoda, que se incomode.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



