União Europeia quer acordo de terras raras com o Brasil, diz Ursula von der Leyen
Bloco europeu busca negociar investimentos em lítio, níquel e terras raras em meio à disputa global por minerais críticos
247 - A União Europeia entrou oficialmente na disputa internacional pelos minerais estratégicos do Brasil e negocia um acordo voltado a investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras. O tema foi abordado no Rio de Janeiro, durante cerimônia que marcou a celebração do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, concluído após 25 anos de negociações. As informações são do G1.
Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a cooperação em matérias-primas críticas será um dos pilares da relação entre o Brasil e o bloco europeu, destacando o papel desses insumos na transição energética, na digitalização da economia e na segurança geopolítica.
Parceria estratégica além do acordo Mercosul-UE
Segundo Ursula von der Leyen, a negociação sobre minerais estratégicos ocorre de forma independente do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que envolve uma ampla gama de setores. Ainda assim, a líder europeia ressaltou que a cooperação nessa área tende a moldar a relação bilateral nos próximos anos.
“Isso vai moldar nossa cooperação em projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras. É a chave para a nossa transição digital e limpa, e também para a independência estratégica, num mundo em que os minerais tendem a ser instrumentos de coerção”, afirmou a presidente da Comissão Europeia.
Disputa global por minerais críticos se intensifica
O movimento da União Europeia ocorre no mesmo momento em que os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, também passaram a demonstrar interesse direto nos minerais estratégicos brasileiros. O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, mas ainda exporta grande parte desses recursos sem processamento, o que reduz o valor agregado incorporado à economia nacional.
As terras raras, grupo formado por 17 elementos químicos, são essenciais para a produção de turbinas eólicas, carros elétricos, semicondutores, equipamentos médicos e tecnologias militares, o que as coloca no centro das disputas geopolíticas contemporâneas.
Brasil no centro da nova geopolítica dos recursos naturais
Enquanto a China mantém liderança no refino e no processamento desses minerais, União Europeia e Estados Unidos buscam diversificar fornecedores para reduzir dependências estratégicas. Nesse cenário, o subsolo brasileiro passou a ocupar posição central no tabuleiro internacional.
Ao final do discurso, Ursula von der Leyen classificou o acordo entre Mercosul e União Europeia como um arranjo de benefício mútuo e agradeceu a Lula pelo empenho para viabilizar o tratado comercial. “Todo mundo beneficiado é realmente um ganha-ganha. Esse é o jeito europeu de fazer negócio. E quero dizer, do fundo do meu coração: obrigada, amigo. O melhor está por vir”, declarou.


