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Emir Sader

Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

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América Latina, epicentro da luta contra o neoliberalismo

Avanço de governos progressistas convive com ofensiva neoliberal e disputa define rumos políticos e sociais da região

Lula e Claudia Sheinbaum (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

A América Latina foi uma vítima privilegiada do neoliberalismo na última década do século passado. Quase todos os países do continente foram afetados por esse modelo de mercantilização das relações sociais e de privilégio dos ajustes fiscais.

O Estado e a sociedade latino-americanos foram profundamente afetados. De tal forma que houve uma radical reação de quase todos os países, que fizeram com que o continente se tornasse a única região do mundo com governos antineoliberais e, ao mesmo tempo, que seus maiores líderes se tornassem os principais líderes da esquerda no mundo no século XXI: Hugo Chávez, Rafael Correa, Evo Morales, Néstor e Cristina Kirchner, Pepe Mujica, Lula, López Obrador e Claudia Sheinbaum.

As duas primeiras décadas deste século foram marcadas por esse processo de reação e resistência latino-americana. Depois de idas e vindas, na terceira década do século XXI o continente está dividido em dois grupos radicalmente opostos. Um, centrado nos governos do México e do Brasil, representa os governos que dão continuidade ao movimento antineoliberal, com governos consolidados democraticamente, com grande expansão econômica, com índices sociais muito positivos, especialmente do desemprego.

A esses governos acompanham Uruguai e a Colômbia. Se contrapõem a eles os governos de direita, que têm no Chile e na Argentina hoje, acompanhados pelos do Equador e de Honduras. Estes implementam políticas neoliberais, do Estado mínimo e da centralidade do ajuste fiscal, em detrimento das políticas sociais.

Os dois polos contrapostos compõem o cenário político da América Latina no primeiro quarto do século XXI. Ao sucesso, especialmente dos governos do México e do Brasil, se antepõe o fracasso evidente do governo argentino, cujos índices sociais são todos negativos, enquanto o governo neopinochetista no Chile se aventura por essa via já fracassada.

O futuro do continente depende de qual desses polos será predominante. Se seguirá sendo o eixo das lutas antineoliberais ou se predominarão as políticas de restauração neoliberal.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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