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Paulo Gala

Paulo Gala é economista e professor da FGV

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Atividade econômica surpreende positivamente e Tesouro registra captação recorde no exterior

Indicadores reforçam resiliência da economia brasileira e ampliam confiança de investidores mesmo diante de juros elevados e incertezas externas

Moedas de real (Foto: REUTERS/Bruno Domingos)

O conjunto recente de indicadores econômicos aponta para um início de ano mais dinâmico do que o esperado para a economia brasileira. O destaque da semana foi a divulgação do IBC-Br, indicador de atividade econômica do Banco Central, que funciona como uma proxy mensal do PIB. O índice registrou alta de 0,6%, acelerando em relação ao mês anterior e sinalizando um ritmo mais consistente de expansão no primeiro trimestre de 2026.

O desempenho foi puxado principalmente pela indústria, que avançou 1,2% no período. A agropecuária apresentou crescimento de 0,2%, enquanto o setor de serviços teve alta de 0,3%. Esses números reforçam a percepção de uma economia mais resiliente, mesmo em um ambiente de juros elevados.

Outros indicadores corroboram esse cenário. A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) mostrou fortalecimento do varejo, especialmente no segmento ampliado, que inclui veículos e materiais de construção. Por outro lado, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) apresentou desempenho mais moderado. Ainda assim, o conjunto de dados sugere um crescimento mais robusto no primeiro trimestre, com maior inclinação à expansão do que à estagnação.

No campo externo, o Tesouro Nacional realizou a maior captação da história em uma única operação, levantando 5 bilhões de euros, com demanda superior a 15 bilhões de euros. O resultado evidencia a forte atratividade do Brasil junto a investidores internacionais e reforça a percepção de credibilidade da política econômica.

Esse movimento ocorre em um contexto de valorização dos ativos brasileiros. A bolsa acumula alta expressiva em dólares ao longo do ano, enquanto o real apresenta apreciação relevante, com a taxa de câmbio operando próxima ou abaixo de R$ 5 por dólar. A condição de exportador relevante de petróleo também tem contribuído para esse desempenho, favorecendo o fluxo de capitais externos.

No cenário internacional, persiste a atenção em relação ao conflito no Oriente Médio. A recente trégua contribuiu para a queda dos preços do petróleo, com o Brent recuando para a faixa de US$ 96 por barril, aliviando parcialmente as pressões inflacionárias globais.

Apesar do ambiente mais favorável, as expectativas de política monetária permanecem cautelosas. No Brasil, o cenário ainda aponta para cortes graduais da taxa Selic, possivelmente em ritmo mais moderado. Nos Estados Unidos, a perspectiva é de manutenção dos juros no curto prazo, com eventuais reduções apenas no final do ano.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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