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José Guimarães

Advogado, deputado federal e Líder do Governo na Câmara dos Deputados

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Atrair datacenters para o Brasil é atrair o futuro

Estimativa do governo indica que os investimentos, nos próximos anos devem ultrapassar R$ 1 trilhão a R$ 2 trilhões em projetos no Brasil

Atrair datacenters para o Brasil é atrair o futuro (Foto: Reprodução/Freepik)

Recentes projeções indicam que o Brasil se tornará um dos maiores polos mundiais de economia digital. Inteligência Artificial, computação em nuvem, big data e serviços financeiros digitais dependem de grande   capacidade de processamento e armazenamento. Nesse contexto, o Brasil reúne condições reais para se tornar uma potência econômica de ponta. O Governo Lula planeja uma política estratégica de Estado, que reservará ao Brasil o devido lugar na economia do futuro. 

O Brasil já é o maior mercado digital da América Latina. Concentra quase metade dos investimentos regionais em tecnologia. Os investimentos globais do setor de tecnologia da informação, em 2026, devem movimentar cerca de US$ 6,15 trilhões, 11% a mais que em 2025, puxado por IA.  A capacidade instalada de datacenters no país está próxima de 1 gigawatt (GW) e pode ultrapassar 1,4 GW até 2030, com crescimento médio anual superior a 8%. São números relevantes, mas ainda modestos frente aos Estados Unidos, que superam dezenas de gigawatts instalados.

O projeto de lei de minha autoria, que institui o REDATA - Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center no Brasil, cria um regime especial de tributação para datacenters, com desoneração de PIS/Cofins, IPI e Imposto de Importação sobre equipamentos essenciais. Entre outros pontos, obriga as empresas a utilizar 100% de energia limpa e a observação dos critérios de sustentabilidade. Essa medida visa atrair investidores do setor para o projeto do Governo Lula de inserir o Brasil na economia do futuro. 

Servidores de alto desempenho, sistemas de refrigeração avançados e equipamentos de rede são majoritariamente importados. Com esse projeto aprovado, a isenção de impostos será de cerca de R$ 5,2 bilhões, já em 2026, seguidos de outros R$ 1 bilhão ao ano nos próximos dois exercícios, incluindo PIS/Cofins, IPI e Imposto de Importação para equipamentos essenciais. 

O governo projeta impacto fiscal relevante, mas aposta no efeito multiplicador. A estimativa do governo indica que os investimentos, nos próximos anos, devem ultrapassar R$ 1 trilhão a R$ 2 trilhões em projetos no Brasil ao longo dos próximos anos. Cada grande datacenter demandará sofisticada infraestrutura, empregos altamente qualificados em engenharias, tecnologia da informação e cibersegurança. Mais do que postos diretos, cria-se um ecossistema: startups, serviços de nuvem, desenvolvimento de software, centros de pesquisa e inovação.

Há uma vantagem estrutural que poucos países têm: a matriz energética brasileira é majoritariamente renovável, acima de 80%, com forte presença de hidrelétricas, eólica e solar. Num momento em que gigantes globais assumem metas rígidas de neutralidade de carbono, energia limpa deixou de ser diferencial e se tornou critério decisivo de investimentos. Datacenters consomem volumes expressivos de energia. O fato de o Brasil ser um país de produção abundante de energia renovável o torna estrategicamente competitivo.

Outro ativo que faz diferença é o mercado interno. Com mais de 200 milhões de habitantes, forte digitalização bancária, com um sistema de pagamentos instantâneos, um dos maiores do mundo, e crescimento do comércio eletrônico, o Brasil gera enorme volume de dados. Onde há dados, há valor. Processá-los internamente fortalece a soberania digital e reduz a dependência de infraestrutura estrangeira.

Mas, um polo global não se faz apenas com incentivos fiscais. É preciso estabilidade regulatória, previsibilidade tributária de longo prazo, segurança jurídica e agilidade no licenciamento ambiental. O investidor internacional opera com horizonte de décadas. Insegurança institucional inibe investimentos.

Também será decisiva a expansão da conectividade internacional. O Brasil já é ponto relevante de cabos submarinos, mas precisa ampliar redundância e integração regional para se consolidar como plataforma de exportação de serviços digitais, e não apenas como mercado consumidor.

Por fim, há o desafio humano. A economia digital demanda profissionais altamente qualificados. Sem investimento contínuo em formação técnica, engenharia, ciência de dados e pesquisa aplicada, o país corre o risco de sediar infraestrutura física sem capturar plenamente o valor intelectual. Para fazer frente a isso e a outras demandas semelhantes, o Governo Lula voltou a investir em ciência tecnologia e comunicações. Para 2026, o orçamento destinou R$ 17,8 bilhões para ciência, tecnologia e comunicações. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) teve um aumento de 14,7% em suas dotações totais. 

O Brasil tem um projeto de desenvolvimento sustentável planejado, com justiça social, tributária, ambiental e investimentos em infraestrutura. Tem mercado consumidor robusto, escala e energia limpa; política econômica com geração crescente de empregos e renda; política industrial alinhada com educação tecnológica; e segurança jurídica para garantir investimentos. A janela histórica está aberta e o Brasil tem condições de se posicionar entre os grandes centros da economia digital global. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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