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Paulo Gala

Paulo Gala é economista e professor da FGV

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Bancos centrais em movimento: Japão sobe juros e mercados aguardam Fed e Copom

Mercado reage a petróleo menor, mas bancos centrais endurecemMercado reage a petróleo menor, mas bancos centrais endurecem, analisa o colunista Paulo Gala

Logo do Banco Central na sede da instituição em Brasília (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
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O Banco do Japão elevou sua taxa básica de juros em 0,25 ponto, levando-a a 1% — o maior patamar desde 1995. É um marco relevante para a política monetária global: até o Japão, depois de anos de juros próximos de zero, chega a esse nível. Vale lembrar que o BoJ não subiu juros durante a pandemia e ficou atrasado em relação aos demais; depois correu atrás do prejuízo e agora, diante do choque do petróleo, torna-se o segundo grande banco central a apertar nos últimos dias. Na semana passada foi o BCE, na Zona do Euro; agora, o Japão. O movimento é claro: as autoridades monetárias estão endurecendo as condições financeiras.

A agenda desta semana é cheia. Amanhã temos a decisão do Copom, no Brasil, e a reunião do Fed, nos Estados Unidos. O Fed deve manter os juros e endurecer o discurso. No Brasil, a leitura é de que ainda pode haver mais um corte de 0,25 ponto, encerrando o ciclo — mas com o Banco Central também adotando um tom mais duro.

O cenário externo deu uma melhorada nos últimos dias. O petróleo voltou para a casa dos US$ 80, na mínima de praticamente dois meses, ajudado pela perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã. Isso alivia bastante o quadro. No front doméstico, o dado de varejo divulgado hoje veio fraco, em queda, sugerindo algum sinal de deterioração. Mas é preciso colocar esse número em contexto: a economia brasileira tem se mostrado mais resiliente do que se imaginava, como indica o crescimento de 1,1% no primeiro trimestre e os demais indicadores que vimos acompanhando. O varejo mais fraco de hoje merece ser lido dentro desse pano de fundo.

Apesar de tudo, a grande notícia é a volta do preço do petróleo. O real tem se valorizado, voltando para a casa dos R$ 5,10 e os juros longos cederam de forma relevante. É um ambiente um pouco melhor para a reunião de amanhã.

Ainda assim, a decisão do Copom não é fácil. O juro já está altíssimo e as expectativas de inflação vêm piorando: para o ano que vem, já bem acima de 4% e em aceleração; para este ano, superando 5%. Isso mostra que, ao menos na cabeça do mercado, há dúvida se o Banco Central responderá com a carga de juros necessária para fazer a inflação convergir. E aí está o paradoxo: o juro já é elevadíssimo — o que prejudica muitas empresas —, mas o Brasil ainda consegue crescer e as pressões inflacionárias persistem.

É uma verdadeira sinuca de bico para o Banco Central brasileiro. Conviver com juro muito alto e inflação acelerando não é um lugar confortável. Posição difícil.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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