Bolsonaro será expulso do Exército
Os outros militares golpistas também vão perder patentes
O procurador-geral da Justiça Militar, Clauro de Bortolli, encaminhou ao Supremo Tribunal Militar parecer pedindo a expulsão do Exército de Jair Bolsonaro e dos outros quatro militares condenados pela tentativa de golpe de 8/1.
Segundo ele, o ex-presidente “organizou um golpe contra as instituições” e agiu com “descaso” com as regras éticas “mais básicas” do Exército. Apontou oito infrações, dentre as quais: dever de probidade e de proceder de maneira ilibada na vida pública; zelo pelo preparo moral próprio; discrição em suas atitudes, maneiras e linguagem escrita e falada, além da observância das normas de boa educação.
As infrações, portanto, abrangem não só a tentativa de golpe, mas seu comportamento vergonhoso durante o mandato presidencial.
Tudo indica que o pedido será acolhido pelo STM, composto por cinco civis e dez militares - quatro do Exército, três da Marinha e três da Aeronáutica. Nos últimos oito anos, o colegiado concordou com 93% dos pedidos feitos pelo Ministério Público Militar.
Será uma decisão inédita: nunca antes militares sofreram punições por envolvimento em golpes de estado. Ao contrário, todos eles, de todas as patentes, ainda conservam as honrarias que receberam na ditadura militar.
No caso de Bolsonaro, a expulsão já vem tarde. Ele deveria ter sido expulso na ocasião em que foi descoberto seu plano de atentado no Rio de Janeiro, mas recebeu uma punição mais branda, sendo forçado a deixar a caserna com a patente de capitão. Os generais Paulo Sérgio Nogueira, Braga Netto e Augusto Heleno e o almirante Almir Garnier também vão perder suas patentes.
Até que enfim os militares dão uma demonstração de apreço à democracia e sinalizam uma nova era, em que atentados à ordem constitucional não serão tolerados em suas fileiras.
Espera-se que num futuro próximo também os militares que desgraçaram a nação durante a ditadura de 1964 e os não militares envolvidos em torturas percam suas condecorações e patentes, ainda que post mortem.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



