Brasil, mostra a tua cara
Entre desinformação, disputas internas na direita e esvaziamento do debate público, o país enfrenta um cenário político marcado por incertezas e retrocessos
Pobre país virou o nosso. A campanha eleitoral mal começando e já temos muitos processos no TSE para serem julgados. O que se discute não é o programa de um partido ou outro, e sim as fake news colocadas no ar pelas redes sociais. Acabou a política, acabou o projeto para o país, acabou o futuro para muita gente. Ronaldo Caiado surge como o mais novo candidato, depois de Flávio Bolsonaro, divide a direita e diz que o brasileiro não é polarizado. Mas sua primeira medida anunciada é soltar o Bolsonaro, contra tudo e contra quase todos e, sobretudo, contra o STF. Além disso, atrapalha o candidato filho do pai, que queria para si esse feito. A direita que se estapeie e se afaste como uma ameaça ao desenvolvimento do país. Quem não acredita em Deus está rezando para que o país permaneça laico, enquanto o Malafaia, na maior cara de pau, pede ajuda para comprar um novo jatinho. Pede aos berros, como sempre fez, sem passar nenhuma palavra de amor ou empatia para o povo cego que o segue e o ajuda. É essa gente que quer governar o Brasil.
O que acontece é que a política acabou, os projetos para o país acabaram e o futuro para muita gente acabou. Sou do tempo em que discutíamos o futuro do país. Eu repetia que ser jovem era voltar para casa cansado por ter lutado por alguma coisa. O que sobrou disso? Acho que pouca coisa. Sou assombrado por escândalos e mais escândalos, pela falta de formação política, por uma alienação imensa e por um povo que segue cabisbaixo para o abismo, orando.
A realidade é essa. Nem a economia mais comove as pessoas. Elas estão empregadas, ganhando mais, comendo e tentando ser felizes, mas o povo repete, sem refletir, que o governo é ladrão. O mercado financeiro, que está bem, lucrando e se afirmando cada vez mais, se dedica a roubar, a condenar o Estado e a querer cada vez mais um Estado mínimo, sem levar em consideração os desejos da sociedade. Pelo Estado mínimo, são capazes de roubar o Estado máximo e que se dane o resto.
O povo não é mais levado em consideração por quase ninguém da oposição. Há quanto tempo você não ouve a direita falar em povo, projetos, planos, tudo com P de polarização que a direita mesma criou e agora diz que não existe? Tenho medo do Caiado, com sua segurança exacerbada, onde bandido não se faz em Goiás. Tenho medo do Flávio, que, vestindo a fantasia de moderado, ameaça o país ao anunciar a entrega das nossas riquezas ao Trump. Tenho medo da imprensa de cabresto que, dizendo informar, influencia o povo por uma economia de mercado que só visa à especulação e ao lucro e não reage às tentativas mentirosas de colocar o escândalo Master no colo do governo. Tenho medo do resto todo, porque o plano deles é acabar com a população e estabelecer um Estado teocrático, onde seremos gado ou, melhor, ovelhas seguindo para o matadouro.
Pois é. Desanimador diante de tanta mentira. Não estamos lutando contra um programa que pode seduzir o povo, e sim contra uma desinformação que só quer destruir os adversários, sem propor nada de construtivo. Que o povo acorde, o Nordeste nos salve e possamos continuar um projeto de Brasil que nada tem de prejudicial para o povo.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



