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Lula lidera reunião ministerial e critica “promiscuidade” na política brasileira

Lula lidera reunião ministerial e critica “promiscuidade” na política brasileira em encontro que marca despedida de ministros candidatos

Presidente Lula (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (31) que é necessário enfrentar a “promiscuidade” na política brasileira e destacou a importância da participação de ministros que deixarão o governo para disputar cargos nas próximas eleições. Durante reunião ministerial, Lula ressaltou o papel dos candidatos na renovação do cenário político e na reconstrução da credibilidade institucional.

As declarações foram feitas em reunião ministerial realizada em Brasília, marcada pela despedida de integrantes do governo que disputarão eleições. Segundo o próprio presidente, ao menos 14 ministros já comunicaram a saída, enquanto outros ainda devem anunciar a decisão.

Lula afirmou que sempre garantiu liberdade para que integrantes do governo concorressem a cargos públicos. “Disse quando iniciamos o governo que eu não criaria objeção a ninguém que quisesse ser candidato”, declarou. Ele reforçou que a participação desses quadros no processo eleitoral pode contribuir para mudanças no sistema político.

Durante o encontro, o presidente fez críticas contundentes ao atual funcionamento da política. “É importante que vocês estejam dispostos a entrar na vida congressual para ajudar a mudar a promiscuidade que está estabelecida na política mundial e brasileira. Perdeu muita seriedade a política”, disse.

Ao citar o ex-deputado Ulysses Guimarães, Lula lembrou uma frase recorrente do parlamentar: “toda vez que se discute mudança, o resultado é para pior”. Em seguida, avaliou que o cenário se agravou. “A política piorou muito. Ainda tem muita gente séria, que faz política com ‘P’ maiúsculo. Mas a verdade é que em muitos casos a política virou negócio.”

O presidente também mencionou os custos elevados das campanhas eleitorais como fator de preocupação. “Outro dia alguém me dizia: ‘um deputado federal não será eleito por menos de R$ 50 milhões’. Se isso for verdade, chegamos ao fim de qualquer seriedade na política brasileira”, afirmou.

Lula reconheceu que há responsabilidade coletiva pela falta de mudanças estruturais. “Todo mundo tem um pouco de culpa, porque muitas vezes, na perspectiva de não criar caso para ninguém, não se propõe as mudanças que precisam ser feitas”, disse. Para ele, a saída passa pela mobilização popular: “Só vai mudar se a gente convencer o povo de que ele, e somente ele, tem condições de mudar o quadro político.”

O presidente classificou a reunião como um momento de “dissolução” do governo, em referência à saída dos ministros. Apesar disso, avaliou o processo de forma positiva. “Isso, para mim, é gratificante. Não pensem que eu fico triste. Sou muito grato aos serviços que vocês prestaram”, afirmou.

Lula também defendeu o desempenho da atual gestão e comparou os resultados com governos anteriores. “Não tenho nenhuma preocupação na frente da imprensa de olhar na cara de cada um de vocês e comparar o trabalho que vocês fizeram com outros governos [...] fizemos infinitamente mais, com mais precisão, com melhor qualidade”, disse.

Ao comentar a estrutura administrativa herdada, o presidente destacou dificuldades enfrentadas no início do mandato. “Não foi fácil remontar os ministérios de vocês”, afirmou, lembrando a redução de pessoal em órgãos públicos. Como exemplo, citou o Ibama, que teria voltado a funcionar com cerca de 700 servidores a menos em relação a gestões anteriores.

Encerrando a fala, Lula criticou a forma como o Estado foi estruturado nos últimos anos. “O país foi montado para não funcionar”, declarou.

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