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Emir Sader

Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

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Campanha de mentiras

A grande mídia distorce os efeitos da reforma tributária para atacar um governo que amplia a renda e reduz impostos para a maioria da população

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Lula passou a vida toda lutando pela melhoria das condições da massa da população, especialmente dos mais pobres. Agora, qualquer medida que ele tome, qualquer afirmação que ele faça nessa direção, é qualificada pela grande mídia como medida eleitoreira, como objetivo de Lula de ganhar votos.

Fica claro já que o tema tributário será um dos temas centrais de debate na campanha eleitoral. Uma das mais importantes iniciativas do terceiro governo Lula, pelas mãos do seu então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi exatamente a reforma tributária.

Como medida fundamental, quem ganha até R$ 5 mil por mês deixa de pagar imposto de renda, beneficiando cerca de 16 milhões de pessoas. Para rendas entre R$ 5 mil e R$ 7.350, haverá uma redução gradual de impostos.

Em suma, uma reforma tributária que favorece a grande massa da população, que deixa de pagar imposto de renda ou passa a pagar menos.

De repente, uma matéria da TV Globo fala o contrário, destacando que a massa de impostos teria aumentado, sem especificar quem está pagando mais impostos. Além disso, de forma igualmente deformada, afirma que a economia está deixando de crescer. São os de maior renda os que pagavam pouco e passarão a pagar mais.

Mas a matéria, com a má-fé típica, tenta passar a ideia de que o governo aumenta cada vez mais os impostos, enquanto a massa da população deixa de pagar imposto de renda ou passa a pagar menos.

Com as políticas econômicas e sociais do governo Lula, houve, inquestionavelmente, uma grande distribuição de renda. Qualquer um que circula pelos comércios, pelos restaurantes, pelos shopping centers se dá conta de como a capacidade de consumo da grande maioria da população melhorou significativamente. Isso é o que conta no fundamental.

A grande mídia destaca o endividamento, como se ele refletisse a incapacidade de consumo da massa da população, quando reflete as facilidades de consumo concedidas pelo comércio. O próprio governo já tomou medidas para atender a esses setores, especialmente os de menor renda.

Em suma, a campanha eleitoral deforma ainda mais as informações que a grande mídia fornece. A disputa eleitoral, com a tendência da grande mídia, cada vez mais forte, de tentar desgastar a imagem de Lula e do seu governo, se acentua cada vez mais.

É preciso tomar cuidado, então, sempre, com essas informações, da mesma forma que com as pesquisas, que já são parte da campanha eleitoral. A grande mídia confirma, de forma cada vez mais clara, a preferência pelo filho de Bolsonaro. Isto é, prefere quem coloca em risco a democracia no Brasil — lembrar sempre que seu pai está preso pela tentativa de golpe e de reinstaurar uma ditadura no país — e se opõe, entre outras medidas progressistas tomadas pelo governo, à reforma tributária que favorece a grande maioria da população, que deixará de pagar imposto de renda ou passará a pagar menos.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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