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Imposto de 27% pode elevar preço de passagens e preocupa Latam

Imposto de 27% pode elevar preço de passagens e preocupa Latam, enquanto empresa aponta impacto no turismo, na demanda e nos investimentos no Brasil

Latam (Foto: Marcelo Camargo / Agência Senado)

247 - O possível imposto de 27% sobre o transporte aéreo internacional pode elevar o preço de passagens e preocupa a Latam, que alerta para impactos no turismo, na demanda e nos investimentos no Brasil. A avaliação foi feita pelo CEO do grupo, Roberto Alvo, ao comentar mudanças tributárias em discussão no país e seus efeitos no setor aéreo, em entrevista ao UOL durante evento internacional no Chile. 

A entrevista foi concedida durante o Wings of Change Americas, conferência da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), em Santiago, onde o executivo também destacou que o Brasil ainda explora apenas parte do seu potencial aéreo e turístico, apesar de ser considerado um mercado estratégico para a companhia.

Segundo Alvo, o país transportou mais de 100 milhões de passageiros no último ano, mas ainda atrai um volume reduzido de turistas estrangeiros. “Ultrapassamos 100 milhões de passageiros no ano passado, mas o Brasil recebe apenas cerca de 9 milhões de turistas internacionais. Para um país das dimensões do Brasil, é muito pouco”, afirmou. Para ele, o crescimento do setor depende de uma estratégia coordenada de promoção internacional.

O executivo defendeu a criação de políticas públicas voltadas ao turismo, com articulação entre diferentes níveis de governo e o setor privado. “Acho que é importante pensar em uma política de Estado para o turismo e em como incentivar que pessoas do mundo inteiro visitem a geografia maravilhosa que o Brasil tem”, disse. Ele acrescentou que a companhia está aberta a colaborar nesse processo: “A companhia está disponível para coinvestir em marketing e ações que incentivem o turismo e aumentem o conhecimento do Brasil como destino”.

Alvo também apontou que o cenário internacional pode abrir oportunidades para o país. Segundo ele, conflitos e instabilidades em regiões tradicionalmente turísticas têm levado viajantes a reconsiderar seus destinos. “Muitas pessoas estão repensando para onde viajar. O que acontece no Oriente Médio e a guerra na Rússia mudaram esse cenário”, afirmou. Ele avaliou que o Brasil pode se beneficiar desse contexto: “Existe uma oportunidade única para destinos alternativos. Se o Brasil conseguir se posicionar como um destino importante, esse patamar tende a se consolidar”.

No campo operacional, a Latam planeja ampliar sua presença no Brasil com a chegada de novas aeronaves da Embraer. A encomenda inclui 24 jatos firmes e outras 50 opções, com entregas previstas a partir deste ano e também em 2027. “Os primeiros 24 aviões que vamos receber nesses anos vão operar no Brasil, com foco principal no mercado doméstico”, explicou.

Inicialmente, as aeronaves serão concentradas em grandes centros, como São Paulo/Guarulhos e Brasília, antes de expandir a malha para novas cidades. “A prioridade será assegurar que o começo da operação seja bem-sucedido. Depois, com mais aeronaves em serviço, teremos mais possibilidades de desenvolver novas cidades”, disse Alvo.

Apesar do plano de expansão, o executivo destacou desafios estruturais na América do Sul, especialmente em cidades médias. Ele mencionou que cerca de 200 municípios com população entre 200 mil e 500 mil habitantes ainda possuem baixa conectividade aérea. “O potencial está nessas cidades, mas muitas vezes a infraestrutura ainda não é adequada para operações regulares”, afirmou.

Outro ponto de crítica foi o modelo de concessões aeroportuárias, que, segundo ele, pode aumentar os custos das passagens. “Muitas vezes os processos de concessão terminam sendo utilizados como uma maneira de arrecadação. Isso acaba aumentando o custo da passagem para o passageiro”, declarou.

A principal preocupação, no entanto, está na reforma tributária em discussão no Brasil. Alvo alertou que a proposta de um IVA de 27% sobre o transporte aéreo internacional não encontra paralelo em outros países. “Nenhum país tem um IVA de 27% aplicado ao tráfego internacional”, afirmou.

No mercado doméstico, ele avalia que a nova estrutura pode ampliar significativamente a carga tributária. “Com o novo sistema, existe o risco de que o custo tributário praticamente se duplique”, disse. Segundo o executivo, esse impacto tende a ser repassado ao consumidor. “As empresas conseguem recuperar parte do IVA como crédito. Quem acaba mais prejudicado são os passageiros, porque o preço da passagem sobe”.

Mesmo diante dos desafios, o CEO reafirmou que o Brasil segue como prioridade para a companhia. “A Latam já operou no Brasil com governos de diferentes correntes políticas e sempre conseguimos trabalhar bem”, afirmou. Ele acrescentou que a empresa pretende manter diálogo com autoridades para contribuir com o desenvolvimento do setor aéreo no país.

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