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Marcelo Auler

Marcelo Auler, 68 anos, é repórter desde janeiro de 1974 tendo atuado, no Rio, São Paulo e Brasília, em quase todos os principais jornais do país, assim como revistas e na imprensa alternativa.

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Caso Master: observações de um velho repórter

Enquanto o foco recai sobre o STF, políticos, autoridades regulatórias e gestores públicos ligados ao Master passam ilesos

Ciro Nogueira, Roberto Campos Neto e Tarcísio de Freitas (Foto: Carlos Moura/Agência Senado | Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil | Celio Messias/Governo do Estado de SP)

Reparo que todo o debate sobre o caso Master gira em torno do papel do ministro Alexandre de Moraes, de sua mulher, do contrato do escritório dela e, às vezes, das questões relacionadas ao ministro Dias Toffoli. OK, eles precisam se explicar, mas não apenas eles.

Afinal, certamente eles não foram os responsáveis pelos rombos. Ou terão sido eles que autorizaram Daniel Vorcaro a adquirir o Banco Máxima, entrando no seleto clube dos banqueiros? Foram eles que deixaram o banco vender CDIs com remuneração acima do normal sem qualquer fiscalização? Ajudaram diretamente o banco a lesar milhares de “investidores”? Contribuíram diretamente para o rombo de mais de R$ 50 bilhões?

Enquanto a grande mídia gasta horas falando desses personagens, quase ninguém mais relembra daqueles que envolveram dinheiro público no banco. Tipos como os governadores Ibaneis Rocha (DF), Cláudio Castro (RJ), os administradores de Macapá e seus padrinhos políticos, além de diversos outros prefeitos e administradores de fundos de previdência públicos que nós ainda não conhecemos, nem corremos atrás como jornalistas.

Quem, no jornalismo econômico, cobrará do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto (02/2019 a 01/2025) a falta de fiscalização no banco Máxima/Master e o convívio heterodoxo de diretores e gerentes de sua gestão com Vorcaro?

Também a mídia praticamente não fala – nem buscou explicações com o próprio – do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que apresentou um projeto para ajudar Vorcaro a roubar mais, respaldado no Fundo Garantidor. Foi mera coincidência? Por que será que Vorcaro comemorou tal iniciativa nas conversas com a namorada?

Não se cobra também Nikolas Ferreira (PL-MG), que fez campanha para Jair Bolsonaro no jatinho do Master. Nem políticos como Ciro Nogueira e AntônioRueda (União-PE) – entre outros – que aparecem como beneficiários de caronas nos helicópteros do banco. Meros favores? Algo que aconteceu ao acaso ou já estava previamente acertado?

Nem se questiona Jair Bolsonaro (PL), seus filhos e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) por terem recebido doações extraordinárias para suas campanhas. A troco de quê? Pura generosidade? Sem nada em troca?

Ou seja, jornalistas calejados e novatos estamos fazendo o papel que a direita quer: focando em alvos diversos – como o STF, Moraes, sua mulher e Toffoli (que, como disse, devem explicações) –, mas deixando de lado aqueles que realmente se beneficiaram – e muito – do esquema de roubos.

É preciso pensarmos em pautas que revertam isso e tragam aos leitores e eleitores os demais envolvidos naquele que é classificado como o maior escândalo financeiro da nossa República.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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