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Luciano Rezende Moreira

Professor titular do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). Doutor e mestre em Ciências Agrárias, é graduado em Agronomia (UFV), Geografia (UERJ), Administração Pública (UFF) e Letras (UFF)

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Com Lula, a vida do brasileiro sempre melhora

"Os números recentes do IDHM apenas reforçam aquilo que a experiência brasileira já demonstrou diversas vezes"

Presidente Lula (Foto: Ricardo Stuckert)
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O recente ingresso do Brasil no grupo de países de “muito alto desenvolvimento humano” deveria ser motivo de amplo orgulho nacional. Afinal, não é todo dia que um país marcado historicamente pela desigualdade consegue elevar seus indicadores sociais a esse nível. Mas, curiosamente, quando o avanço acontece durante governos populares, especialmente sob a presidência de Lula, a reação de parte da grande imprensa e dos setores conservadores costuma ser a tentativa imediata de minimizar o feito.

O Brasil melhora? A pobreza cai? A fome recua? O emprego cresce? O salário volta a ganhar poder de compra? Então rapidamente aparece alguém para explicar que tudo isso aconteceu “apesar do governo”, como se os indicadores sociais brotassem espontaneamente do solo brasileiro, irrigados por forças sobrenaturais do mercado.

A verdade é que os fatos históricos são teimosos. Foi nos governos Lula que o Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU. Foi durante este período que milhões de pessoas passaram a comer melhor, viajar de avião pela primeira vez, entrar na universidade, financiar a casa própria e acessar direitos antes reservados a uma pequena elite. Foi também nestes governos que o país quitou sua dívida com o FMI, acumulou reservas internacionais e conquistou um grau de soberania econômica raramente visto em nossa história recente.

Mas aparentemente há quem considere tudo isso um detalhe menor.

Curiosamente, os mesmos setores que tratam essas conquistas com frieza costumam demonstrar enorme criatividade para celebrar “responsabilidade fiscal” mesmo quando o resultado concreto é desemprego, arrocho salarial, crescimento da fome e destruição de políticas públicas. Quando governos de direita entregam recessão, aumento da desigualdade ou perda de direitos sociais, sempre existe uma justificativa sofisticada: “era necessário”, “o mercado exigia”, “faltou confiança”, “o cenário internacional era difícil”. Já quando governos populares apresentam avanços concretos na vida da população, a explicação desaparece (ou pior, tenta-se convencer o povo de que o governo nada teve a ver com isso).

É quase cômico observar como certas análises econômicas funcionam. Se o pobre melhora de vida, dizem que é populismo. Se o banco lucra bilhões, chamam de maturidade econômica. Se o Estado investe em inclusão social, acusam irresponsabilidade. Mas quando o Estado socorre o sistema financeiro, isso vira “estabilidade institucional”.

Os números recentes do IDHM apenas reforçam aquilo que a experiência brasileira já demonstrou diversas vezes. Ou seja, o país avança quando há investimento social, valorização do salário mínimo, fortalecimento das políticas públicas e presença ativa do Estado no desenvolvimento nacional. O Brasil melhora quando os mais pobres deixam de ser tratados como problema e passam a ser reconhecidos como parte da solução.

E talvez seja exatamente isso que incomode tanto determinados setores. A lembrança de que um país pode crescer distribuindo renda, reduzindo desigualdades e incluindo o povo no orçamento irrita profundamente a elite brasileira. Porque quando isso acontece, cai por terra a velha narrativa de que desenvolvimento é privilégio de poucos e sacrifício obrigatório para muitos.

O Brasil não entrou no grupo de “muito alto desenvolvimento humano” por milagre. Entrou porque houve escolhas políticas. E a história recente mostra, com uma clareza difícil de esconder, quais projetos costumam produzir inclusão social e quais normalmente entregam apenas promessas, austeridade seletiva e indicadores negativos acompanhados de longos editoriais tentando explicar por que o fracasso, na verdade, deveria ser considerado sucesso.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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