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Leopoldo Vieira

Jornalista profissional, pós-graduado em Administração Pública e Ciência Política. CEO da Idealpolitik. Trabalhou como analista sênior de política na Faria Lima (TradersClub) e nos ministérios do Planejamento, Secretaria de Governo e Relações Institucionais nos governos Dilma Rousseff e Lula.

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Com vantagem no centro, Lula rearticula frente ampla e acena ao mercado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT iniciaram movimentos para atrair o centro político à aliança de reeleição, tanto em nível nacional quanto estadual

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

Buscando reeditar e ampliar a frente ampla vitoriosa em 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT iniciaram movimentos para atrair o centro político à aliança de reeleição, tanto em nível nacional quanto estadual. Nesta semana, pesquisa do instituto Real Time Big Data mostrou vantagem de 14 a 17 pontos de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro entre eleitores de centro.

“Queremos o apoio de todos os partidos que pertencem à base do presidente Lula”, disse à GloboNews o presidente nacional do PT, Edinho Silva, sinalizando avanço nas tratativas com MDB, PSD, Progressistas, União Brasil e Republicanos. As negociações podem convergir, inclusive, para a composição com outro vice centrista, caso o atual vice-presidente Geraldo Alckmin assuma outra posição de destaque. Segundo Edinho, o foco é o diálogo em torno de um projeto com pontos consensuais, o que, se concretizado, aumentaria as chances de reformas econômicas pactuadas a partir de 2027. Isso é relevante porque mitigaria riscos de crise econômica, instabilidade institucional e insatisfação das classes médias e populares com o establishment político e econômico.

Nesta terça-feira, em evento do mercado financeiro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, antecipou que há discussão de um novo desenho para os gastos sociais e falou sobre uma possível unificação de benefícios. No fim de 2025, Alckmin defendeu que o governo precisa realizar um esforço fiscal maior pelo lado das despesas, articulado à iminente redução dos juros. Segundo ele, seria o momento de iniciar a geração de superávit para estancar e, na sequência, reduzir o crescimento da dívida pública.

Ao UOL, na semana passada, Lula afirmou que considera participar de um debate econômico com a Faria Lima, onde se concentram crescentes preocupações fiscais. O aceno acontece em um contexto de valorização recorde da bolsa brasileira, impulsionada pelo investidor estrangeiro. Com o risco político instalado nos Estados Unidos, a rotação desses fluxos para o Brasil sugere um reconhecimento da combinação de estabilidade política, social, econômica e jurídica do país, André Vieira, do Brazil Stock Guide, explica que o país deixou de ser um caso atípico negativo para se tornar uma alternativa plausível em um mundo mais caótico. “Quando o dólar se desvaloriza e o centro global perde força, o capital aprende a conviver com imperfeições — e o Brasil avança”, ressaltou.

As articulações petistas com o centro político ocorrem diante da provável ausência de uma candidatura viável de centro, em razão da imposição do senador Flávio Bolsonaro como nome da oposição, e da ofensiva do PL por palanques puro-sangue nos estados, prejudicando estratégias que priorizam composições voltadas à eleição de grandes bancadas no Congresso Nacional. A recuperação e a estabilização da popularidade presidencial, na esteira de um reposicionamento antissistema, da retomada da bandeira nacional e de uma governabilidade baseada na divisão das prerrogativas entre os Poderes, indicaram ampliação significativa da capacidade de Lula atrair aliados. 

 Em tempo: o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, previu, também nesta terça, que o Congresso deve ter uma taxa de reeleição de 40%, porém com fortalecimento dos pólos de esquerda e de direita, o que significaria um enfraquecimento do centro parlamentar.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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