Em reunião com Lula, João Campos defende permanência de Alckmin como vice: 'é importante para nós'
Presidente do PSB afirma que manutenção do vice é prioridade do partido, mas destacou que “os dois vão construir isso da melhor forma”
247 - O prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, defendeu nesta terça-feira (10) a permanência do vice-presidente Geraldo Alckmin na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a disputa eleitoral deste ano. A posição foi apresentada diretamente ao chefe do Executivo durante uma reunião no Palácio do Planalto, em Brasília, que durou cerca de uma hora. Segundo o jornal O Globo, Campos afirmou que saiu do encontro confiante sobre a continuidade da aliança entre PT e PSB, destacando o clima de confiança e respeito entre Lula e Alckmin.
“Acabo de sair de mais uma extraordinária reunião com o presidente Lula. Estamos alinhados e sintonizados. Muito feliz de poder construir conjuntamente um caminho que vai nos ajudar a consolidar importantes conquistas para o futuro de Pernambuco e do Brasil”, escreveu Campos na rede social X, antigo Twitter, após a reunião.
Reunião no Planalto reforça posição do PSB
Após a conversa, João Campos afirmou que a definição sobre a composição da chapa cabe diretamente ao presidente e ao vice, sem intermediários, embora tenha reiterado que o PSB considera essencial a manutenção de Alckmin. “Os dois vão construir isso da melhor forma, há uma relação de carinho e respeito entre eles. Não cabe um interlocutor, não é um presidente de partido que vai tratar disso”, declarou.
O dirigente socialista ressaltou ainda o caráter direto do diálogo com Lula e reforçou que a permanência de Alckmin é considerada estratégica pela legenda. “A conversa é muito franca, muito verdadeira e sempre muito amistosa com o presidente Lula. Ele sabe que pro nosso partido é importante essa construção (manter a vice-presidência). É natural que conversas entre um presidente e um vice-presidente ocorram em um ambiente de muita confiança, de muito respeito, principalmente pelo perfil dos dois”, afirmou.
Campos também destacou que a aliança entre PSB e PT se estende nacionalmente e envolve apoios recíprocos em diferentes disputas estaduais. Segundo ele, a parceria abrange candidaturas ao Senado e governos estaduais, reforçando o caráter amplo da coalizão.
Debate sobre alianças e a pressão do MDB
As declarações de João Campos ocorrem em meio a movimentações políticas mais amplas em torno da composição da chapa presidencial. Mais cedo, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que Lula já discutiu com ele a possibilidade de o MDB indicar o vice na eleição, em conversa realizada em dezembro do ano passado, na Granja do Torto.
“Quem falou isso foi o Lula, não fomos nós. Ele tratou disso comigo no dia 17 de dezembro, na Granja do Torto”, disse o senador. Entre os nomes citados como eventuais opções do MDB estão o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o governador do Pará, Helder Barbalho.
As especulações se intensificaram depois que Lula declarou publicamente, na semana passada, que Geraldo Alckmin terá um “papel a cumprir” na eleição em São Paulo, sinalizando a possibilidade de mudanças na estratégia eleitoral.
Estratégia do governo mira ampliação ao centro
Nos bastidores, aliados do governo avaliam que uma eventual mudança na vice poderia integrar uma estratégia de ampliação da base governista em direção ao centro político. O MDB é considerado um partido relevante nesse cenário por sua capilaridade regional e influência no Congresso Nacional, embora mantenha tradição de decisões autônomas em suas convenções.
Em entrevista, Renan Filho afirmou que participará das discussões sobre o papel do MDB em uma eventual reconfiguração da chapa presidencial. Procurada, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência não se manifestou.
Renan Calheiros afirmou ainda que qualquer indicação dependeria de um convite formal do presidente e de deliberação interna no partido. Segundo ele, o principal ativo que o MDB poderia oferecer seria o apoio de uma parcela significativa da legenda, com potencial para ampliar a coalizão eleitoral em torno de Lula.



