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Edinho Silva defende alianças para 2026 e agenda de futuro do PT

Presidente do PT reforça apoio à reeleição de Lula, elogia Geraldo Alckmin, defende redução da jornada e comenta investigações sobre o Banco Master

Presidente nacional do PT, Edinho Silva (Foto: Reprodução )

247 - O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou em entrevista coletiva nesta terça-feira (10) que o partido pretende intensificar o diálogo com aliados para fortalecer a base política do governo e preparar o terreno para a disputa presidencial de 2026. Segundo ele, a prioridade do PT é consolidar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, ao mesmo tempo, atualizar a agenda partidária diante de desafios como transição energética, inteligência artificial e crise climática.

As declarações foram dadas durante conversa com jornalistas após uma sessão na Câmara dos Deputados em celebração aos 46 anos do Partido dos Trabalhadores. Edinho iniciou a entrevista agradecendo à bancada e ressaltando o simbolismo do evento para reafirmar a trajetória histórica do partido. “Foi uma sessão que para nós tem muita importância. É o momento de nós recuperarmos o legado do Partido dos Trabalhadores”, disse.

O dirigente enfatizou que o PT construiu um histórico eleitoral sem precedentes e atribuiu ao partido parte decisiva das principais transformações sociais recentes no país. “Nós somos o único partido que ganhou cinco eleições nacionais, elegemos cinco vezes o Presidente da República. Somos o partido da transformação das políticas públicas do nosso país”, afirmou.

Ao enumerar conquistas associadas aos governos petistas, Edinho citou programas sociais e políticas estruturantes que marcaram as gestões do partido. “O partido do Bolsa Família, que tirou o Brasil da fome, o partido do ProUni, o partido do Minha Casa, Minha Vida, o partido das obras estruturantes do PAC”, declarou, ao destacar também experiências de participação popular como o orçamento participativo.

Edinho sustentou ainda que o PT segue vinculado a uma pauta permanente de enfrentamento às desigualdades e aos preconceitos. “O partido que luta todos os dias contra os preconceitos, contra o racismo, contra o machismo, a misoginia, contra a homofobia e todas as manifestações de desigualdade”, afirmou o presidente da legenda.

O dirigente também apontou que o partido busca reposicionar sua estratégia para os próximos anos e confirmou que o tema será central no 8º Congresso do PT, previsto para abril. “Nós estamos organizando o nosso oitavo Congresso, agora em abril, pra que a gente valorize nosso legado, mas também construa a agenda de futuro do PT”, declarou, citando a transição energética e a urgência climática como pontos prioritários.

Entre as bandeiras defendidas para o próximo período, Edinho destacou o debate sobre redução da jornada de trabalho e defendeu que o tema ganhou relevância mundial. “O debate da redução da jornada de trabalho, ele é um debate global”, afirmou, ao argumentar que mudanças produtivas em curso exigem respostas políticas e econômicas rápidas.

Segundo ele, o avanço tecnológico já vem reduzindo a necessidade de mão de obra em diversos setores e deve acelerar com o uso crescente de inteligência artificial. “Nós produzimos mais, cada vez menos com força de trabalho. E com a inteligência artificial, esse processo terá uma celeridade muito grande”, disse Edinho.

O presidente do PT avaliou que esse cenário tende a aprofundar contradições econômicas globais, já que a produção cresce sem que haja consumo suficiente para absorver o que é produzido. “A economia mundial vive uma crise, uma crise exatamente porque ela está produzindo mais, o sistema produtivo produz mais, mas nós não temos massa de consumo pra dar conta dessa produção”, afirmou.

Para Edinho, reduzir a jornada de trabalho seria uma alternativa para preservar empregos e permitir mais qualidade de vida à população. “Se nós não enfrentarmos o debate da redução da jornada de trabalho, pra que a gente continue produzindo, mas gerando empregos, e com isso, nós desenharmos um modelo de aumento da produtividade, mas também preservando o tempo pra família, pro estudo, pro lazer, pro trabalhador, nós estaremos totalmente fora da realidade”, declarou.

Ele disse ainda que a defesa dessa pauta por partidos como PT e PSOL é compatível com a realidade atual e apontou que o Congresso tem demonstrado sensibilidade sobre o tema. “A Câmara dos Deputados, lideradas pelo seu presidente Hugo Motta, entendeu a urgência e entendeu a sensibilidade do tema”, afirmou.

Ao abordar a articulação eleitoral de 2026, Edinho afirmou que o PT buscará os partidos que hoje integram a base do governo para discutir a continuidade do projeto político liderado por Lula. “A todos os partidos que hoje compõem o governo do presidente Lula, é natural que o PT os procure pra debater a continuidade desse governo”, disse.

Ele reforçou que o principal objetivo da legenda é garantir a reeleição do presidente. “Eu quero uma aliança pra reeleger o presidente Lula, para que o Brasil continue, primeiro, sendo pautado pela democracia”, afirmou, argumentando que a vitória de Lula seria decisiva para manter o país reconstruindo políticas públicas e preservando prestígio internacional.

Durante a entrevista, Edinho também elogiou o vice-presidente Geraldo Alckmin e disse que ele tem respeito amplo dentro do PT, podendo escolher livremente seu caminho político em 2026. “O vice-presidente Geraldo Alckmin é muito respeitado por todos nós”, declarou.

O dirigente relatou que Alckmin foi amplamente aplaudido em um evento em Salvador e que sua relação com o partido é marcada por reconhecimento e afeto. “Em Salvador, ele só não foi mais aplaudido que o presidente Lula”, afirmou, antes de concluir: “O vice-presidente Geraldo Alckmin disputará o cargo que ele quiser nas eleições de 2026, porque nós o respeitamos e nós temos por ele muito carinho.”

Edinho também comentou denúncias envolvendo o Banco Master e defendeu que investigações sejam realizadas com rigor, mas sem exploração político-partidária. “O que nós somos contra é de politização das investigações, partidarização das investigações, transformar investigações em instrumento de luta política”, declarou.

Para ele, apurações são necessárias justamente para preservar a credibilidade do sistema financeiro brasileiro. “Nós estamos diante de uma denúncia grave, que afeta o sistema financeiro brasileiro”, disse, acrescentando que o setor bancário nacional é respeitado internacionalmente e que investigações fortalecem instituições, em vez de enfraquecê-las.

“O sistema bancário brasileiro tem credibilidade, ele é respeitado”, afirmou Edinho, defendendo que denúncias sejam apuradas para manter a confiança pública. “O Partido dos Trabalhadores vai continuar defendendo que as investigações sejam feitas em relação ao Banco Master ou qualquer outro fato”, completou.

Ao tratar da estratégia regional do PT, Edinho afirmou que o partido busca construir um palanque forte em Minas Gerais e avaliou que Rodrigo Pacheco é um nome relevante para liderar esse processo. “O Rodrigo Pacheco, na nossa avaliação, é uma grande liderança, inclusive, das lideranças em ascensão no Brasil”, disse.

Ele destacou, no entanto, que uma candidatura depende de decisão pessoal e convencimento do próprio político. “Ninguém é candidato, se não tiver convencido da missão”, declarou, acrescentando que o PT segue dialogando com outras lideranças democráticas no estado.

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