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‘O PT defende as investigações em relação ao Banco Master’, diz Edinho

Presidente do partido afirma que apuração deve ocorrer sem politização e defende debate no Congresso sobre temas estruturantes, como a autonomia do BC

Edinho Silva (Foto: Evandro Macedo / LIDE)

247 - O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta terça-feira (10), na Câmara dos Deputados, que o partido apoia a abertura de investigações sobre o Banco Master e considera essencial que a apuração seja conduzida com seriedade institucional, sem transformar o processo em instrumento de disputa política. Segundo ele, o objetivo deve ser esclarecer os fatos e preservar a credibilidade do sistema financeiro brasileiro.

As declarações foram dadas durante entrevista coletiva concedida por Edinho Silva na Câmara, em meio às discussões sobre a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. O dirigente petista elogiou a postura da bancada do partido na Casa e destacou a importância do apoio à iniciativa. “Quero dar parabéns à nossa bancada por ter se posicionado a favor da CPI do Banco Master”, afirmou.

Edinho argumentou que o debate vai além de eventuais crimes e envolve a preservação de um setor estratégico para o país. “Queremos, além de apurar se tivemos crimes, proteger o sistema financeiro brasileiro, que é um dos mais respeitados do mundo. O Brasil tem um sistema financeiro reconhecido, respeitado e tem credibilidade”, declarou. Ele disse ainda que essa credibilidade tem impacto direto na atração de investimentos e na confiança internacional. “Por isso atraímos tanto investimentos, por isso os investidores internacionais acreditam no Brasil e não têm medo de pôr seus recursos aqui”, completou.

Na avaliação do presidente do PT, uma investigação conduzida de forma transparente contribui para reforçar essa confiança. “Uma investigação que mantenha essa credibilidade é muito importante”, afirmou.

Edinho também enfatizou que o partido não se opõe à apuração de denúncias, mas rejeita o uso político do tema. “Investigação tem que ser feita. O que somos contra é a politização, partidarização das investigações, transformar em instrumento de luta política”, disse. Para ele, investigar deve ser parte do funcionamento normal das instituições democráticas. “Investigar e preservar as instituições tem que ser adotado com naturalidade. Estamos diante de uma denúncia grave que afeta o sistema financeiro brasileiro”, declarou.

O dirigente reiterou que a defesa de investigações deve ser uma regra geral, independentemente do caso. “O PT vai continuar defendendo que as investigações sejam feitas, em relação ao Banco Master ou qualquer outro fato”, afirmou.

Debate sobre autonomia do Banco Central volta à pauta

Além do tema relacionado ao Banco Master, Edinho também comentou o debate sobre a autonomia do Banco Central, que voltou ao centro das discussões políticas após declarações do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Em evento realizado na capital paulista nesta terça-feira (10), Motta afirmou que não pretende pautar propostas que revisem a autonomia do BC.

“Não está no nosso horizonte revisar a autonomia do Banco Central. Estamos vendo uma instituição que funciona bem e vem tomando providências necessárias em sua atuação, sem qualquer interferência. Assim precisa funcionar a autoridade monetária. Não vamos pautar a revisão da autonomia”, declarou Hugo Motta.

Em resposta, Edinho defendeu que o Congresso Nacional deve ter liberdade para debater qualquer tema considerado estrutural para o país. “Todos os temas estruturantes têm que ser debatidos pelo Congresso Nacional. O Congresso não pode estar interditado a fazer nenhum debate. É no Congresso que as sínteses são construídas”, afirmou.

O presidente do PT também disse que as lideranças partidárias têm o direito de apresentar suas posições e que o ambiente democrático depende da pluralidade de opiniões. “As lideranças do partido têm todo o direito de defender suas posições. É no debate democrático, na superação das contradições que vamos construir as ideias majoritárias”, declarou.

Ele concluiu reforçando que mesmo que não haja votação imediata, o debate deve ser incentivado. “Se não for pautada nenhuma votação, que se abra o debate. Isso fortalece a democracia”, afirmou.

As declarações ocorrem após o PT divulgar, nesta semana, uma resolução em que volta a criticar a autonomia do Banco Central e o patamar da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano. No documento, o partido sustenta que a política monetária conduzida pelo BC, cuja autonomia foi instituída durante o governo Bolsonaro, tem funcionado como obstáculo ao projeto escolhido nas urnas, ao aprofundar a financeirização da economia e restringir o investimento produtivo.

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