Edinho defende fim da escala 6x1, tarifa zero e diz que PT 'tem que ser o partido do futuro'
Presidente do PT propõe agenda com mobilidade gratuita, transição energética e novo modelo industrial para ampliar igualdade social no Brasil
247 - O presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu nesta terça-feira (10) a necessidade de o partido assumir uma agenda voltada para os desafios do futuro, com propostas como o fim da escala de trabalho 6x1 e a implementação da tarifa zero no transporte público em todo o país. Segundo ele, o PT deve liderar os novos embates sociais e econômicos, mantendo sua trajetória histórica de enfrentamento às desigualdades.
O discurso foi feito na tribuna da Câmara dos Deputados durante sessão solene em homenagem aos 46 anos do PT. Na ocasião, Edinho destacou que o partido construiu, ao longo das últimas décadas, um projeto político baseado na igualdade social, na justiça e no combate a todas as formas de discriminação. “Somos, com todo respeito aos partidos que estão conosco, o partido que liderou o projeto de igualdade social do Brasil, de justiça, de combate a todas as formas de preconceito e discriminação”, afirmou.
Ao relembrar os primeiros governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Edinho ressaltou que a chegada do PT ao Planalto em 2003 marcou o início de políticas públicas que, segundo ele, transformaram profundamente a vida da população brasileira. Entre os programas citados, ele mencionou iniciativas sociais e estruturantes que se tornaram símbolos da gestão petista. “Quando chegamos ao governo em 2003 começamos a escrever políticas públicas que transformaram efetivamente a vida do povo brasileiro, como o Bolsa Família, o Prouni, o Minha Casa, Minha Vida, o PAC, o orçamento participativo”, declarou. Ele acrescentou que a experiência do orçamento participativo influenciou administrações municipais e estaduais e segue atual como ferramenta para democratizar os investimentos públicos. “Hoje o orçamento participativo é atual e eficaz para democratizar o orçamento da União”, disse.
Edinho também apontou o papel do PT no combate à concentração de renda, destacando que o Brasil teve avanços importantes na redução das desigualdades nos últimos anos, ainda que o país continue entre os que mais concentram riqueza no mundo. “Fomos e somos o partido da reforma da renda, que combate a concentração da renda”, afirmou. Em seguida, ressaltou: “Ao longo dos últimos anos fizemos com que o Brasil, entre as 20 maiores economias do mundo, fosse o país que mais enfrentou a desigualdade da renda e mais provocou transformações na renda da nossa população”. Apesar disso, alertou que o Brasil ainda ocupa posição negativa nesse ranking. “E, mesmo assim, ainda é o Brasil, entre as 20 maiores economias do mundo, que lidera a concentração da renda mundial”, completou.
Ao defender uma nova etapa para o PT, Edinho afirmou que o partido precisa assumir protagonismo em temas estratégicos do século XXI, como a transição energética e o enfrentamento da crise climática. “Portanto, teremos que ser o partido do futuro, dos novos embates, das novas transformações da vida do povo brasileiro. Teremos que ser o partido que vai liderar o debate da transição energética, da urgência climática”, declarou.
No campo da mobilidade urbana, Edinho destacou que milhões de brasileiros estão excluídos do transporte público por não terem condições financeiras de pagar tarifas. Para ele, o debate sobre tarifa zero deve ser tratado como prioridade nacional. “Nesse momento que estamos aqui celebrando o aniversário do PT, mais de 20 milhões de brasileiras e brasileiros não têm acesso ao transporte público porque não têm condição de pagar uma passagem, de metrô, trem, ônibus”, afirmou. Em seguida, defendeu: “Teremos, com muita responsabilidade, enfrentar esse debate e democratizar a mobilidade urbana, instaurando a tarifa zero no território nacional”.
Edinho também abordou a necessidade de um novo modelo de desenvolvimento para o Brasil, citando a importância estratégica das chamadas terras raras. Segundo ele, o país não pode limitar-se a exportar esses recursos sem agregar valor e tecnologia. “Temos pela frente o debate das terras raras. Não podemos ser um país exportador de terras raras”, disse. Ele defendeu que as reservas brasileiras devem ser usadas como base para impulsionar o desenvolvimento tecnológico e gerar empregos qualificados, especialmente para a juventude. “Teremos que fazer das nossas reservas a base do desenvolvimento tecnológico, para que a gente possa fazer com que o Brasil seja o país que lidere o desenvolvimento tecnológico, para que a gente possa gerar empregos de qualidade para a nossa juventude”, afirmou.
Na área industrial, Edinho elogiou as medidas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e destacou os investimentos pactuados para a chamada Nova Indústria Brasil. “Teremos que ser, como estamos sendo no governo do presidente Lula, o partido que vai liderar o novo modelo de desenvolvimento industrial”, declarou. Ele citou o volume de recursos destinados ao programa: “Já pactuamos, liderados pelo governo do presidente Lula, mais de R$ 800 bilhões para a Nova Indústria Brasil”.
No encerramento de sua fala, Edinho defendeu que o PT mantenha sua atuação histórica na defesa de políticas públicas estruturantes, como o Sistema Único de Saúde (SUS), a ampliação da educação integral e o direito à creche. Ele também destacou que o combate ao racismo, à homofobia, ao machismo e à misoginia deve seguir como eixo central do partido. “Teremos que continuar sendo o partido da defesa do SUS, da educação integral, da democratização do direito à creche”, afirmou. Em seguida, reforçou: “Teremos que ser o partido do combate ao racismo, à homofobia, ao machismo e à misoginia”.
Edinho concluiu defendendo que o enfrentamento de todas as formas de preconceito é condição indispensável para que o Brasil avance em direção à justiça social. “O Brasil só será um país justo e igualitários quando enfrentarmos todas as formas de preconceito”, afirmou. Ele ainda defendeu que o PT siga levantando as bandeiras dos direitos das mulheres e do combate ao feminicídio. “Teremos que ser o partido da indignação, que enfrente o feminicídio, que levante as bandeiras dos direitos das mulheres”, declarou.
Ao final, Edinho afirmou que o PT deve seguir como instrumento de luta da classe trabalhadora, ampliando seu papel político diante dos desafios sociais e econômicos do país. “Só assim continuaremos sendo, porque somos, o maior instrumento de luta da classe trabalhadora brasileira”, concluiu.


