Crise da democracia no Ocidente
Folena afirma que o avanço do autoritarismo sob Trump expõe o colapso da democracia liberal e contrasta com o modelo chinês de desenvolvimento centrado no povo
A proposta de criação do denominado “conselho da paz”, apresentada pelo ditador Donald Trump, além de ser uma provocação e um escárnio, constitui a ratificação de que o conceito intelectual de democracia está totalmente falido no Ocidente.
O homem que está a um passo de iniciar mais uma guerra (desta vez contra a República Islâmica do Irã), que atacou a soberania venezuelana, promovendo a morte de dezenas de pessoas e sequestrando ilegalmente um chefe de estado, nunca foi e nunca será o promotor da paz.
Esse ditador, que, no regime instalado no seu país, não respeita as próprias instituições políticas e persegue estrangeiros e nacionais que pensam de forma diversa da sua, não tem condições de garantir a segurança em nenhum lugar; até porque faz questão de alardear que o direito internacional é o limite de sua moral.
Trump é a representação de que a democracia não caminha nada bem no hemisfério ocidental, fundado com base no cristianismo, mediante o emprego do mais duro processo de exploração colonialista, que até hoje promove expropriações, escravizações e genocídios. Em quase seiscentos anos, este modo de exploração não produziu felicidade nem segurança; e, ao contrário da proposta de seus idealizadores intelectuais, o sistema mantém um estado permanente de guerras e destruição.
O que tem prevalecido a partir do século XXI, depois do 11 de setembro de 2001, é um estado de exceção, que utiliza a ferramenta da internet para vigiar, perseguir e punir a todos que possam se opor ao regime, atualmente liderado por Donald Trump. Este ditador é quem melhor encarna o atual “estado marcial de direito”, em que o opressor, para seguir concentrando cada vez mais as riquezas do mundo nas mãos de muito poucos, precisa reprimir povos e nações para manter o status quo.
Nos últimos anos, o mundo ocidental tem se encaminhado para uma perigosa encruzilhada, ainda que a maioria dos seus cidadãos não tenham consciência da armadilha que está sendo montada. Em diversos países do hemisfério nos deparamos com propostas de restrição de direitos fundamentais, sinal de que o sistema político liberal capitalista atravessa uma profunda crise, que decorre de sua incapacidade de promover os meios mínimos necessários para que todas as pessoas possam viver com dignidade.
As populações, receosas em relação ao futuro e paralisadas pelo medo, vêm elegendo políticos que se apresentam como homens fortes e antissistema, que propõem a implantação de um estado onde impera o discurso de violência, ódio e repressão, que, ao final, conduz à tirania do fascismo (como promovido atualmente, em escala universal, por Donald Trump).
Foi assim que chegaram ao poder governantes como Donald Trump (Estados Unidos da América do Norte), Jair Bolsonaro (Brasil), Javier Milei (Argentina), Nayib Bukele (El Salvador), Daniel Noboa (Equador), Zelensky (Ucrânia) e os submissos chefes de governo europeus, que abrem mão da própria soberania, aceitam a restrição de liberdades individuais, defendem ataques contra a natureza e concordam até mesmo em “abater” indivíduos, de forma sumária e sem o devido processo legal.
Esse contexto tem gerado muitos questionamentos acerca da efetividade da democracia vigente nos países do Ocidente e constitui um grande desafio para essas sociedades, especialmente quando confrontadas com as recentes realizações do governo da República Popular da China, liderado pelo PCCh, que avança cada vez mais na modernização econômica, tecnológica e na inclusão social de seu povo.
Em 2014, John Micklethwait, ex-editor da Revista The Economist, escreveu que: “a disfunção em Bruxelas e Washington ficará ainda mais perceptível por causa da terceira preocupação com a democracia Ocidental: agora existe uma alternativa asiática. A versão chinesa da modernização autocrática alega funcionar melhor no planejamento de longo prazo. Os pobres na China progrediram mais rapidamente que seus pares na democrática Índia; daí o entusiasmo do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, para aprender com a China...”.
Em fevereiro de 2021, o presidente chinês anunciou o fim da pobreza extrema no país, um feito magnífico em um país com mais de 1,4 bilhão de habitantes, que, entre 1839 e 1949 foi humilhado pelas ditas “potências ocidentais civilizadas” e pelo Japão, que saquearam suas riquezas e exploraram seu povo.
É importante retomar o editorial do Global Times de 06/03/2025, no qual se afirmou que, para o PCCh, o centro da economia é a população e não apenas os objetivos financeiros: “… a filosofia de desenvolvimento centrada no povo é a base da viabilidade econômica da China. O relatório enfatiza que o crescimento da renda pessoal deve estar em sintonia com o crescimento econômico, mais fundos e recursos serão usados para servir ao povo e, pela primeira vez, inclui estabilidade no mercado imobiliário e no mercado de ações como parte dos requisitos gerais, refletindo uma resposta aos meios de subsistência das pessoas. Seja a vitória abrangente na redução da pobreza ou o investimento contínuo em educação, saúde e outros serviços públicos, o Partido e o Estado sempre tomaram as aspirações do povo por uma vida melhor como seu objetivo final.”
O governo chinês, que dispõe de uma economia planificada e conta com a experiência de uma civilização milenar, responde à altura às provocações do Ocidente cada vez mais decadente. Por exemplo, no início de março do ano passado, fez projeções do PIB para 2025, mostrando por estudos científicos que poderia alcançar o resultado de 5% ao ano e estabeleceu como objetivo central o consumo interno . E, de fato, atingiu a meta esperada, como anunciado no dia 18/01/2026, mesmo com as abusivas tarifas alfandegárias impostas pelo regime do ditador Donald Trump no ano passado.
Percebemos então que, ao contrário dos países do Ocidente, que destinam grande parte das suas verbas orçamentárias para a utilização em guerras, enquanto sua população passa por imensas dificuldades para suprir necessidades básicas, como acesso à alimentação, habitação, saúde e educação, a China dá o exemplo para a humanidade, construindo uma democracia efetiva, inclusiva e soberana, que, em seu amplo processo de desenvolvimento, mostra que é possível a promoção de uma vida melhor para todos.
Diante disso, podemos estabelecer que a existência de uma sociedade verdadeiramente democrática somente é possível quando todos os cidadãos possam “gozar das mesmas felicidades e regalias, (devendo) fruir dos mesmos prazeres e acalentar as mesmas esperanças”.
Ou seja, o que caracteriza, na essência, uma democracia, não é o comparecimento às urnas para votar a cada dois ou quatro anos, em eleições controladas pela força econômica do capital, como ocorre no Ocidente, mas sim o desejo genuíno de promover o bem-estar geral, aliado ao planejamento de longo prazo e à capacidade política de materializar a melhoria da qualidade de vida de toda a população, gerando esperança e confiança em um futuro melhor, a ser compartilhado com todos os povos do mundo, como propõe a República Popular da China.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



