Da Itália a Bandung e aos Cravos
Nunca em todas essas décadas os valores emancipatórios de Abril e da luta dos Povos estiveram tão ameaçados como nos dias atuais
No dia 24 de abril de 1955 se encerrava a Conferência de Bandung, que era o nascimento de uma grande articulação internacional anticolonial e anti-imperialista.
Dez anos antes no 25 de abril de 1945, embalados pela canção “Bella Ciao”, os partigianos italianos derrotaram o fascismo. No mês seguinte o Exército Vermelho entrava em Berlim e derrotava definitivamente o nazifascismo.
Nesses anos, Portugal vivia uma ditadura fascista e ainda se considerava um Império Colonial, detendo o domínio sobre as chamadas Províncias Ultramarinas, na África e Ásia.
Dezenove anos depois de Bandung e vinte e nove anos após a Liberazione da Itália, em 1974, na madrugada de um outro dia 25 de abril, um golpe militar, que no decorrer do dia se transformou em Revolução popular democrática, livrou Portugal de uma sangrenta ditadura que já durava 48 anos.
Os anos que separam os acontecimentos italianos e a conferência de Bandung da Primavera dos Cravos portuguesa foram marcados por uma intensa luta dos povos contra o imperialismo, contra o colonialismo, contra uma ordem iniciada na passagem dos séculos XV para XVI que preparou o terreno para a acumulação primitiva do capital e construiu a hegemonia do Ocidente sobre todo o mundo.
Neste período tivemos as guerras de independência, anticoloniais e anti-imperialistas do Vietnã, a luta pela independência da Argélia, do Congo e de outras colônias africanas e asiáticas, além dos golpes militares na América Latina.
Nos dias de hoje vemos o sistema imperialista do Ocidente Coletivo Ampliado, com os Estados Unidos à frente, em plena decadência política, econômica e moral.
Os momentos marcantes comemorados nos dias 24 de abril (Bandung) e 25 de abril (Giorno de La Liberazione e a Revolução dos Cravos) estão em cheque nesse momento histórico em que a agonia do Ocidente faz renascer o monstro do fascismo e o recrudescimento do necrocapitalismo de barbárie.
Nunca em todas essas décadas os valores emancipatórios de Abril e da luta dos Povos estiveram tão ameaçados como nos dias atuais.
A agonia do império passa pela perversidade, devassidão e truculência absoluta das plutocracias degradadas ocidentais, do modelo Epstein, Trump, Netanyahu, Milei, Chega, Vox e de todas as expressões fascistas contemporâneas.
No Brasil o bolsonarismo e o lavajatismo são os cães raivosos do capital ocidental em crise.
Em Portugal as conquistas democráticas e sociais da Revolução dos Cravos estão seriamente ameaçadas pela conjugação articulada do fascismo de André Ventura com o capitalismo de barbárie neoliberal de todas as forças políticas do centro até a extrema-direita.
O 25 de abril deste ano será diferente. Não apenas uma data para celebrar, mas também para resistir, combater e acumular forças para impor uma derrota ao fascismo salazarista que ressurge com o flerte entre o Chega e as forças políticas neoliberais que se autodefinem como de “centro democrático”.
Temos um desafio imenso pela frente nesses tempos distópicos sombrios onde a selvageria, a guerra, o modelo genocida de Gaza e a guerra permanente é a referência da política do capital imperial.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



