Davi, o homem-bomba
"Ao contrário do filho de Jessé, nosso personagem não foi nem nunca será escolhido para governar a nação"
Davi nunca foi um homem realmente simples, daqueles que conduzem ovelhas pelos campos. Ele também jamais derrotou nenhum guerreiro gigante, pois é medíocre na sua essência e covarde em seus atos. Na ausência de uma funda e uma pedra, Davi costuma recorrer a métodos sórdidos e espúrios na tentativa de se fazer notado em sua insignificante existência política. Embora possa parecer, não falamos aqui de Davi, o rei, nem de outro Davi, mas daquele cujo sobrenome não deve ser mencionado, mesmo sendo conhecido pelos quatro cantos da nossa amada República.
Ao contrário do filho de Jessé, nosso personagem não foi nem nunca será escolhido para governar a nação, estando ele muito mais próximo de personagens como Saul que, embriagado de arrogância, acredita piamente que pode usurpar funções, violar a Constituição Federal e emparedar um governo democraticamente eleito. Na ânsia pelo poder e por tudo aquilo que ele proporciona, Davi costuma agir às pressas e costurar conchavos no silêncio dos gabinetes luxuosos sob o céu da cidade, traço do arquiteto (“gosto tanto dela assim!”). Do outro lado da Praça, o decano avisa: “É inconstitucional!”. Davi sabe, mas não liga, pois acredita que “alguns são mais iguais que outros”.
Mudando o rumo dessa prosa, mas nem tanto, a pior Copa do Mundo começou. E para surpresa de absolutamente ninguém, iraquianos, iranianos e somalis, entre outros, foram proibidos de entrar nos EUA, “a maior democracia do mundo”. Atletas desses e de outros países chegaram a ser interrogados por quase sete horas em claro desrespeito ao congraçamento, que deveria ser o objetivo principal desse tipo de evento. Mas quem liga? As ruas das cidades brasileiras estão enfeitadas, as bandeirinhas tremulam e as camisetas amarelas caminham, um tanto envergonhadas, mas confiantes de que os jogadores canarinhos jogarão mais e cairão menos. No primeiro embate, o Brasil enfrentará a seleção do Marrocos. Cá com meus puídos botões, me pergunto para quem Davi, de ascendência marroquina, torcerá?
Dizem as más línguas que Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, teria feito um pagamento de propina ao Davi, via depósito em conta secreta no exterior, por serviços prestados ao referido Banco. Davi nega, é claro. As investigações continuam e já respigam, dizem as mesmas más línguas, em políticos do PT da Bahia. Como “a melhor defesa é o ataque”, sem funda e sem pedra, Davi sacou de seu “colete de explosivos” suas pautas-bomba e torpedeou a nação. O ataque de Davi não explode o governo, mas o país ao qual jurou servir e proteger. Contudo, entre o que se jura e o que se faz, a distância é imensa. Tá aí o Flávio sem sobrenome que não me deixa mentir ao inaugurar uma nova forma de “patriotismo”, que é aquela que vende a pátria ao estrangeiro e que faz corar de vergonha Joaquim Silvério dos Reis.
Davi, o homem-bomba, mirou no coração do governo e alvejou o próprio pé. E o que ainda o impede de ouvir aquelas famosas três batidinhas na porta, às 6h da manhã, são as poderosas credenciais que ainda ostenta. Mas como diz aquela canção de Zeca Baleiro: “O coração do homem-bomba faz TUM-TUM/Até o dia em que ele fizer BUM!”. Já O Rappa alerta: “Também morre quem atira”.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




