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Oliveiros Marques

Sociólogo pela Universidade de Brasília, onde também cursou disciplinas do mestrado em Sociologia Política. Atuou por 18 anos como assessor junto ao Congresso Nacional. Publicitário e associado ao Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (CAMP), realizou dezenas de campanhas no Brasil para prefeituras, governos estaduais, Senado e casas legislativas

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De Ciro, o Grande, a Ciro Nogueira: quando a ascensão se transforma em armadilha

Ciro Nogueira se vê apresentado à possibilidade de descobrir que a habilidade política também possui limites

Ciro Nogueira (Foto: Senado Federal)
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A história é repleta de personagens que construíram impérios, acumularam poder e passaram a acreditar que sua influência era permanente. Um dos exemplos mais conhecidos é o de Ciro, o Grande, fundador do Império Persa. Visionário, estrategista e conquistador, ele transformou um reino periférico em uma potência que dominou vastas regiões da Ásia. Sua trajetória simboliza a ascensão de quem compreendeu as engrenagens do poder melhor do que seus adversários.


Mas a mesma história ensina que nenhum poder é eterno.


Ciro expandiu suas fronteiras, acumulou vitórias e construiu uma reputação quase mítica. Ainda assim, acabou encontrando seu limite. Morreu em campanha militar, longe do centro do império que havia criado. Seu legado permaneceu, mas o homem que parecia invencível descobriu que a força que o levou ao topo não era suficiente para protegê-lo para sempre.


Guardadas todas as proporções históricas, há algo de semelhante na trajetória política do senador Ciro Nogueira. Durante anos, ele foi um dos mais habilidosos operadores da política brasileira. Sobreviveu a diferentes governos, ampliou sua influência em Brasília e tornou-se uma das figuras centrais do chamado Centrão. Enquanto presidentes, ministros e partidos vinham e iam, Ciro permanecia.


Sua força nunca esteve na popularidade de massas. Estava na capacidade de articular, construir relações, ocupar espaços estratégicos e se posicionar próximo aos centros de decisão. Era o político que parecia inquebrantável.


Entretanto, os acontecimentos envolvendo o escândalo do Banco Master colocaram essa imagem sob forte pressão. A Polícia Federal encontrou nos celulares apreendidos de Vorcaro indícios de uma relação imprópria entre o senador e o banqueiro, controlador da instituição financeira e centro nervoso do escândalo BolsoMaster. As investigações apontam suspeitas de vantagens financeiras e atuação política em favor de interesses privados, acusações que Ciro Nogueira nega; defesa, contudo, que fica mais difícil a cada sigilo levantado pelo ministro André Mendonça.  


Independentemente do desfecho judicial, o dano político já é evidente. O senador que durante décadas cultivou a imagem de articulador eficiente passou a ser associado a um dos maiores escândalos financeiros e políticos do país. O personagem que parecia dominar o tabuleiro agora se vê obrigado a jogar na defensiva. Ciro, se transforma em pequeno.


É justamente aí que a comparação histórica se torna interessante. O problema de quem permanece muito tempo próximo ao poder é começar a acreditar que controla todas as variáveis. A proximidade com empresários influentes, bancos poderosos e grupos econômicos costuma parecer uma demonstração de força. Muitas vezes, porém, transforma-se em dependência. E dependência é uma forma silenciosa de fragilidade.


Ciro, o Grande, descobriu que até os maiores impérios encontram fronteiras. Ciro Nogueira se vê apresentado à possibilidade de descobrir que a habilidade política também possui limites. A diferença é que, na democracia, as batalhas não são travadas em campos militares, mas nos tribunais, nas instituições e na opinião pública.


A história raramente se repete de forma literal. Mas frequentemente rima. E uma de suas rimas mais constantes é que a ascensão costuma ser construída pela inteligência; a queda, muitas vezes, nasce da convicção de que se está acima das consequências. Na política, a soberba é o atalho para a desgraça.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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