Desemprego recua a 5,6% e atinge menor patamar para o trimestre da série histórica
Taxa de desocupação cai a 5,6% no trimestre encerrado em maio, com recorde na série histórica e 102,7 milhões de ocupados
O mercado de trabalho brasileiro voltou a dar sinais de força. A taxa de desocupação caiu para 5,6% no trimestre encerrado em maio, ante 5,8% no período concluído em fevereiro — o menor resultado já registrado para um trimestre terminado em maio em toda a série histórica da pesquisa.
Os números mostram resiliência diante de um cenário externo adverso, marcado pelos efeitos da guerra no Oriente Médio. A população ocupada — que reúne empregados, empregadores e funcionários públicos — chegou a 102,7 milhões de pessoas, avanço de 0,5% sobre o trimestre anterior, o equivalente a 558 mil postos adicionais. Na comparação com igual período de 2025, o crescimento foi de 0,8%, ou 840 mil ocupados a mais. O contingente de desempregados, por sua vez, recuou 2,8% frente ao trimestre imediatamente anterior, somando 6,1 milhões de pessoas — movimento que o IBGE, ainda assim, classifica como estabilidade estatística.
Quando se observa a série mais longa, a dimensão do atual ciclo fica ainda mais evidente. A versão retropolada do indicador, estimada pelo Banco Central a partir da metodologia de Alves e Fasolo (Working Paper nº 400, 2015), permite acompanhar a desocupação desde abril de 2004, em médias móveis trimestrais dessazonalizadas. O retrato é de uma montanha-russa: a taxa partiu de patamares próximos a 10% em meados dos anos 2000, recuou de forma consistente até tocar pisos em torno de 6,5% por volta de 2013 e 2014, no auge do ciclo de crédito e consumo da década passada.
A partir de 2015, a curva inverteu com violência. A recessão derrubou a atividade e empurrou a desocupação para um primeiro pico acima de 13% entre 2016 e 2017. Após uma recuperação parcial, a pandemia provocou o salto mais agudo de toda a série, com a taxa beirando 15% em 2020. Desde então, a trajetória é de queda firme e prolongada — e o nível atual, em torno de 5,5%, marca não apenas o menor resultado para o mês de maio, mas o piso de toda a série histórica reconstruída, abaixo inclusive dos vales registrados há mais de uma década.
O ambiente, segundo avaliação do instituto, é de acomodação. As empresas deixaram de promover desligamentos típicos do pós-demanda de fim de ano, mas o ciclo de novas contratações ainda não ganhou tração. O mercado, na leitura oficial, começa a se organizar para o segundo semestre.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




