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Tereza Cruvinel

Colunista/comentarista do Brasil247, fundadora e ex-presidente da EBC/TV Brasil, ex-colunista de O Globo, JB, Correio Braziliense, RedeTV e outros veículos.

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Dois avisos de que Trump planeja meter a mão em nossa eleição. Contra Lula

Vitória da extrema direita na Colômbia e acenos de Trump ao Brasil reforçam alerta sobre ingerência na eleição de 2026 contra Lula

Lula e Donald Trump (Foto: Divulgação)
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Por estreitíssima maioria, a extrema direita venceu na Colômbia - e se não venceu, manipulou a contagem de votos, como denuncia o presidente Gustavo Petro – com a ajuda de Donald Trump e seus esbirros regionais, como Noboa, do Equador, e Bukele, de El Salvador. O aviso foi bem anotado pelo governo. E para que fique clara sua disposição de meter a mão grande na eleição brasileira para evitar a vitória de Lula, Trump postou em sua rede social, na madrugada desta terça-feira, o texto de um articulista amistoso, festejando a oitava vitória de aliados trumpistas na América Latina nos últimos sete anos e definindo o Brasil como “próximo grande teste”. Foi outro aviso.

A isso podemos somar o rumor de que Trump poderá desferir novo ataque ao ministro Alexandre de Morais caso Bolsonaro pai seja enviado de volta à Papudinha esta semana, com o encerramento do período de prisão domiciliar humanitária. Sinal de que a química com Lula acabou e ele agora partiu mesmo para o modo ataque.

A derrota do governo de esquerda na Colômbia é a mais grave para  Lula, depois da vitória de Milei na Argentina, acentuando seu isolamento regional, no que pese o prestígio internacional. Só restam agora, na América do Sul, os governos progressistas do Brasil e do Uruguai, que por seu reduzido peso econômico e político, incomoda menos Trump.

Afora sua importância econômica, a Colômbia importa muito para a política externa de Lula e suas pautas integracionistas, ambientais, de segurança regional e de transição energética, que tinham Petro como aliado importante. Tentando relativizar a mudança que haverá na Colômbia, o embaixador Celso Amorim declarou que haverá diálogo também com o governo de Aberlado de la Espriella, mas sabemos que ele jogará fechado com Trump.

 A vitória do exótico Abelardo, que gosta de ser chamado de “El Tigre”, está sendo festejada pela oposição bolsonarista, especialmente por sua proposta de tratar o crime organizado com “mão de ferro” e a promessa de construir dez mega presídios do gênero Bukele. Isso será usado comparativamente na campanha para atacar a política de segurança de Lula.

O artigo assinado por John Gizzi no site norte-americano Newsmax sugere uma das armas que serão usadas por Trump e os lesa-pátria brasileiros da família Bolsonaro, ao afirmar que já se debate intensamente “o sistema eleitoral brasileiro e se a disputa será conduzida de maneira considerada livre e justa por todos os lados”. Aqui no Brasil ninguém está discutindo o sistema eleitoral nem a lisura das eleições. Contestar resultados eleitorais é especialidade de Trump e da extrema direita em geral.

Se a eleição brasileira tornou-se, como Trump está deixando claro, uma equação importante em seu plano de dominar “o quintal” latino-americano, desde logo o governo Lula e as forças democráticas nacionais devem se preparar para outra tentativa de golpe. Quanto mais observadores internacionais forem convidados, melhor.

E para completar, o TSE será presidido, durante o pleito, pelo ministro Nunes Marques, indicado ao STF por Bolsonaro.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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