Imagem de Trump derrete no mundo e rejeição aos EUA aumenta no Brasil
Levantamento do Pew Research Center mostra que 76% da população global não confia no presidente norte-americano
247 - A imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desabou em uma pesquisa global, que mostra que 76% dos entrevistados não confiam no mandatário norte-americano em temas internacionais, enquanto a percepção sobre os Estados Unidos também se deteriorou em 36 países, incluindo o Brasil.
O levantamento, realizado pelo Pew Research Center, aponta que a maioria dos entrevistados tem avaliação negativa dos Estados Unidos e rejeita pontos centrais da política externa conduzida por Washington sob Donald Trump. Na média global, 57% dizem ter visão desfavorável do país, contra 37% que afirmam enxergá-lo de forma positiva.
A pesquisa também mostra que 50% dos entrevistados não consideram os Estados Unidos um parceiro confiável. Outros 63% avaliam que o país não contribui para a paz e a estabilidade mundial, enquanto 66% afirmam que Washington não leva em conta os interesses de outras nações ao tomar decisões.
Rejeição aos EUA é maior na Europa e na Ásia
Os maiores níveis de avaliação negativa aparecem em países da Europa e da Ásia. Na França, na Holanda e na Alemanha, a rejeição aos Estados Unidos supera 70%. Na Suécia, país que ingressou recentemente na Otan, 80% dos entrevistados têm visão desfavorável dos EUA.
Índices semelhantes foram registrados na Malásia, com 80%, no Paquistão, com 81%, na Turquia, com 84%, e na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, com 82%. No Japão, tradicional aliado de Washington, há empate: 50% têm visão positiva e 50% veem os Estados Unidos de forma negativa.
Em partes da África e da América Latina, a percepção é mais favorável. Na Colômbia, 60% dos entrevistados avaliam positivamente os Estados Unidos. No Brasil, 47% têm visão positiva do país, enquanto 43% declaram opinião negativa. Em 2025, a parcela de brasileiros com avaliação favorável era de 56%.
Israel aparece como o país mais favorável aos Estados Unidos entre os pesquisados, com 81% de aprovação.
Trump enfrenta forte desconfiança internacional
A avaliação sobre Donald Trump é ainda mais negativa do que a percepção geral sobre os Estados Unidos. Segundo o Pew, 76% dos entrevistados afirmam não confiar no presidente norte-americano quando se trata de assuntos internacionais.
Em 11 países, entre eles seis aliados da Otan, a desconfiança em relação a Trump ultrapassa 80%. A Turquia registra o maior índice, com 92%. O presidente norte-americano, porém, mantém níveis positivos de apoio em países como Filipinas, Israel, Gana, Nigéria e Quênia, especialmente entre entrevistados que se declararam cristãos ou judeus.
No Brasil, 64% dos entrevistados dizem não confiar nas ações de Trump. O percentual é próximo ao registrado em 2025, quando a desconfiança era de 61%, mas inferior ao patamar observado durante seu primeiro mandato, quando a desaprovação chegou a 78% em 2018.
O dado ganha peso no contexto das discussões sobre eventuais impactos da política externa americana na eleição presidencial brasileira de outubro, diante de sinais de que a Casa Branca poderia buscar algum tipo de influência sobre a disputa.
Política externa agressiva pesa contra Washington
A queda da imagem dos Estados Unidos no cenário internacional aparece associada à postura mais agressiva da política externa americana. Após uma breve recuperação durante o governo de Joe Biden, entre 2021 e 2025, a percepção global voltou a se deteriorar com o retorno de Trump à Presidência.
A atual estratégia de Washington busca ampliar a presença norte-americana em diferentes regiões e reforçar sua influência sobre áreas consideradas estratégicas. Na América Latina, esse movimento aparece associado a uma versão atualizada da Doutrina Monroe, com maior pressão sobre países da região.
O levantamento do Pew indica forte rejeição a medidas adotadas pelo governo Trump. O tarifaço global anunciado no ano anterior é desaprovado por 77% dos entrevistados. No Brasil, apenas 19% aprovam a iniciativa.
As políticas migratórias do presidente americano também enfrentam resistência: 65% dos entrevistados são contrários a elas. Entre brasileiros, 25% aprovam essas medidas. Já as novas diretrizes para a distribuição de ajuda humanitária, afetadas por cortes promovidos no início do governo, são desaprovadas por 56% dos entrevistados. No Brasil, 41% consideram corretas as atuais políticas de assistência americana.
Ações no Irã, Venezuela, Gaza e Ucrânia são mal avaliadas
A atuação dos Estados Unidos em conflitos internacionais também é rejeitada pela maioria dos entrevistados. Apenas 20% aprovam a ofensiva contra o Irã lançada no fim de fevereiro, que está atualmente suspensa em meio a negociações.
A intervenção na Venezuela, em janeiro, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro, foi considerada correta por 22% dos entrevistados. No Brasil, esse cenário teve aprovação de 33%, percentual superior à média global, mas ainda minoritário.
Em Gaza, onde Washington se alinhou a Israel, as ações norte-americanas foram aprovadas por 18% dos entrevistados. Na Ucrânia, conflito que Trump prometeu encerrar rapidamente durante a campanha, mas que já chega ao quinto ano, a atuação do presidente americano recebeu o aval de 20%.
Com exceção da Venezuela, os índices brasileiros seguem tendência semelhante à média internacional, com forte desaprovação das principais ações externas dos Estados Unidos.
Maioria vê interferência excessiva dos EUA
Outro ponto de consenso no levantamento é a percepção de que os Estados Unidos interferem demais nos assuntos internos de outros países. Entre os entrevistados de 17 nações em desenvolvimento, 76% concordam com essa avaliação.
No Brasil, o índice também é de 76%. A percepção é ainda maior entre adultos de 30 a 49 anos, grupo em que 82% afirmam que Washington exerce influência excessiva sobre temas de outras nações.
Segundo o Pew, essa visão também aparece entre os próprios norte-americanos. Nos Estados Unidos, 83% reconhecem que o governo do país exerce influência em excesso sobre assuntos externos.
Outros líderes mundiais também foram avaliados
Além de Trump, a pesquisa mediu a percepção internacional sobre outros líderes. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, tem apoio majoritário entre europeus, mas enfrenta menor aprovação no Oriente Médio e em partes da Ásia.
Vladimir Putin, presidente da Rússia, é amplamente rejeitado na Europa, mas registra números positivos na África e em países como Indonésia, onde tem 64% de aprovação, e Malásia, com 62%.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, só teve aprovação superior a 50% nas Filipinas e no Quênia. Já o presidente da China, Xi Jinping, encontra suas principais bases de apoio na África e em partes da Ásia.
Na América Latina, nenhum dos líderes avaliados ultrapassou 45% de aprovação, o que levou o Pew a identificar a região como a mais cética entre as áreas pesquisadas.
Ao todo, o Pew Research Center ouviu 42.151 pessoas em 36 países e regiões, além de 3.507 residentes nos Estados Unidos. As entrevistas foram feitas presencialmente, por telefone e pela internet entre 8 de fevereiro e 13 de maio.



