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Derrotado na guerra, Trump suspende sanções ao Irã, mas renova ameaças

EUA suspendem sanções ao Irã por 60 dias após negociações na Suíça, enquanto Trump cobra cumprimento de acordo provisório

Presidente dos EUA, Donald Trump (Foto: REUTERS/Carlos Barria/Pool)
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247 - Os EUA suspendem sanções ao Irã por 60 dias após negociações na Suíça, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cobra o cumprimento de um acordo provisório e afirma que reagirá caso Teerã não siga os compromissos assumidos. .

A medida foi anunciada após as primeiras conversas de alto nível no âmbito de um acordo de paz ainda em fase inicial, informa a Reuters. Washington concedeu a suspensão temporária das sanções a partir de segunda-feira (22), permitindo que o Irã venda petróleo e produtos relacionados e receba pagamentos por essas exportações até 21 de agosto.

O presidente Donald Trump declarou que adotará as medidas que considerar necessárias se o Irã descumprir o entendimento. “Se o Irã não cumprir seu acordo, ou se não estiver se comportando, farei o que tiver que fazer”, disse Trump a jornalistas.

As negociações ocorreram em Buergenstock, uma estância de montanha na Suíça de propriedade do Catar. Mediadores do Paquistão e do Catar afirmaram que os dois lados concordaram com um roteiro para tentar chegar a um acordo permanente em até 60 dias, com base no entendimento provisório assinado na semana passada.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, avaliou que as conversas criaram condições favoráveis para um acordo definitivo. “Criamos uma base muito sólida para um acordo final bem-sucedido”, afirmou Vance, após participar das reuniões.

O Irã apresentou uma interpretação diferente sobre parte das tratativas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, disse à agência oficial IRNA que o país ainda não discutiu questões nucleares nem assumiu novos compromissos nessa área.

Trump, por sua vez, afirmou em publicação na Truth Social que o Irã aceitará inspeções para garantir o que chamou de “honestidade nuclear”. O programa nuclear iraniano é um dos pontos mais sensíveis das negociações, especialmente após Teerã ter restringido inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica depois dos ataques aéreos lançados pelos Estados Unidos e por Israel no ano passado. O Irã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

Além da suspensão temporária das sanções, as partes também discutiram mecanismos para lidar com ativos iranianos congelados no exterior. Segundo Vance, o enviado da Casa Branca Jared Kushner, genro de Trump, elaborou um processo pelo qual os Estados Unidos e o Catar teriam controle sobre recursos iranianos desbloqueados, que poderiam ser usados para comprar milho, soja e trigo dos Estados Unidos.

“Então, o dinheiro que liberarmos irá para nossos agricultores”, afirmou Trump a jornalistas.

O Irã, no entanto, contestou essa versão. O presidente do Banco Central iraniano, Abdolnaser Hemmati, disse que não há obrigação nesse sentido e que ao menos parte dos recursos congelados restantes poderia ser usada para comprar outros bens não sancionados, segundo a agência iraniana Tasnim.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou nas redes sociais que Teerã obteve isenções para exportações de petróleo e petroquímicos, a liberação de parte dos ativos congelados no exterior e o início de um plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irã.

As conversas também envolveram a situação no Líbano. Segundo mediadores, as partes concordaram com um mecanismo para encerrar os combates entre Israel, aliado dos Estados Unidos, e o Hezbollah, grupo alinhado ao Irã. Autoridades relataram uma trégua sustentada no Líbano, embora Israel tenha afirmado que manterá uma zona de segurança no sul do país e continuará agindo para “neutralizar” ameaças contra soldados e cidadãos israelenses.

Israel não participou do acordo de paz, mas aceitou na sexta-feira um novo cessar-fogo no Líbano. Mesmo assim, os combates intensos continuaram por mais um dia, antes de diminuírem a partir da noite de sábado, segundo autoridades libanesas.

Israel e Líbano deveriam iniciar uma nova rodada de negociações em Washington na terça-feira (23). Beirute pretende avançar em conversas diretas, ainda que o processo tenha sido afetado pela decisão iraniana de incluir o Líbano nas negociações com os Estados Unidos.

Outro ponto abordado foi a segurança no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte global de petróleo. As partes abriram uma linha de comunicação para ajudar a garantir a passagem segura de navios comerciais e evitar conflitos na região. O tráfego de navios-tanque pelo estreito começou a aumentar na segunda-feira.

O ministro das Relações Exteriores de Omã reafirmou o compromisso do país com o direito internacional e com a passagem segura, sem cobrança de pedágio, durante conversas com o Irã sobre a administração da hidrovia.

Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, além dos bombardeios israelenses no Líbano, mataram milhares de pessoas e deslocaram milhões. A guerra envolvendo o Irã também afetou os mercados internacionais e elevou os preços globais do petróleo.

Com os relatos de avanço diplomático, os preços do petróleo voltaram a cair. Na terça-feira, o petróleo ampliou as perdas após encerrar a segunda-feira em queda de 3%.

As negociações técnicas devem continuar ao longo da semana, enquanto Washington e Teerã tentam superar divergências sobre o programa nuclear iraniano, o destino dos ativos congelados e os mecanismos de segurança regional previstos no acordo provisório.

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