Irã e EUA concluem na Suíça primeira rodada de negociações
Encontro no Bürgenstock marcou o início das conversações diretas
247 - O Irã e os EUA concluíram a primeira rodada de negociações na Suíça com uma agenda centrada em petróleo, sanções, Líbano, Estreito de Ormuz e ativos congelados, em meio a novas tensões entre Teerã e Washington. As conversas ocorreram no complexo Bürgenstock, perto de Lucerna, com participação de mediadores do Paquistão e do Catar.
Mediação de Paquistão e Catar
A negociação na Suíça contou com a atuação de mediadores do Paquistão e do Catar. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, participaram de encontros separados com as delegações norte-americana e iraniana.
As conversas envolveram uma reunião quadrilateral entre EUA, Irã, Paquistão e Catar. A presença desses mediadores evidencia a tentativa de manter um canal diplomático aberto em meio à escalada regional.
Minuta sobre petróleo entra na pauta
Um dos principais pontos discutidos foi o possível alívio de sanções relacionadas ao petróleo iraniano. Hussein Gurbanzadeh, integrante da equipe negociadora do Irã, disse que uma minuta sobre isenções para exportações de petróleo do país foi finalizada.
A discussão sobre petróleo é considerada central para Teerã, que busca ampliar sua capacidade de venda externa em meio ao peso das sanções norte-americanas. A Associated Press informou que integrantes da delegação iraniana também relataram conversas sobre a liberação de ativos iranianos congelados e sobre exportações de petróleo.
O tema foi reforçado por Hamid Bovard, chefe da Companhia Nacional Iraniana de Petróleo, que integra a delegação iraniana na Suíça. De acordo com a AP, ele afirmou que a questão da suspensão de sanções ligadas ao petróleo e das respectivas isenções foi tratada durante as negociações.
Líbano domina parte das discussões
Apesar da relevância econômica da pauta petrolífera, o Irã indicou que a situação no Líbano esteve no centro da rodada. Teerã defende que a implementação de qualquer entendimento comece pela interrupção dos combates em todas as frentes, incluindo o conflito entre Israel e Hezbollah.
A reunião ocorreu em um contexto de forte instabilidade regional. O Irã afirmou que havia fechado novamente o Estreito de Ormuz em razão da continuidade das operações israelenses no Líbano. Os EUA contestaram essa versão e disseram que o tráfego marítimo seguia em funcionamento.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo, o que amplia o impacto internacional de qualquer ameaça de bloqueio. A disputa sobre sua abertura ou fechamento se tornou um dos pontos mais sensíveis nas negociações.
Programa nuclear segue como impasse
A delegação norte-americana busca avançar para um acordo mais amplo que estabeleça limites duradouros às atividades nucleares do Irã.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou, segundo a mídia estatal citada pela AP, que o país não abrirá mão do direito ao enriquecimento de urânio. “O que é certo é que nunca recuaremos do direito de enriquecer urânio, e o outro lado também é obrigado a aceitar isso”, disse Pezeshkian.
Ameaças de Trump aumentam tensão
A rodada ocorreu sob o impacto de novas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump. Segundo a AP, Trump voltou a ameaçar o Irã enquanto as delegações se reuniam na Suíça e cobrou que Teerã contivesse o Hezbollah.
“Se não fizerem isso, atingiremos o Irã com muita força novamente, como fizemos na semana passada, só que mais forte!!!”, escreveu Trump, conforme registro da Associated Press.
As declarações contrastaram com o tom adotado pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, que liderou a delegação norte-americana. Antes da reunião, Vance afirmou que o Oriente Médio estava diante de uma oportunidade de mudança.
“A questão diante de nós agora é quanto mais podemos realizar juntos? Podemos virar uma nova página?”, disse Vance, segundo a AP. Ele também questionou se seria possível “mudar permanentemente as relações no Oriente Médio” ou voltar “a fazer as coisas do jeito antigo”.
Segundo a Al Jazeera, o presidente do Parlamento iraniano e chefe negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf, rejeitou as ameaças dos EUA e afirmou que Teerã está preparado para responder, se necessário.
Acordo amplo ainda depende de avanços
O Conselho de Relações Exteriores dos EUA apontou que o entendimento entre Washington e Teerã ainda deixa questões importantes em aberto, incluindo o programa nuclear iraniano, o Estreito de Ormuz, os mísseis e o papel de aliados regionais do Irã.
A primeira rodada na Suíça não encerrou os principais impasses, mas formalizou uma nova etapa do diálogo direto entre Irã e EUA. A expectativa é que as partes tentem transformar o entendimento provisório em um acordo mais detalhado dentro de um prazo negociado pelas delegações.
Para Teerã, o alívio das sanções ao petróleo, a liberação de ativos e a interrupção dos ataques no Líbano são pontos essenciais. Para Washington, a prioridade segue sendo obter compromissos sobre o programa nuclear iraniano e preservar a navegação no Estreito de Ormuz.
O resultado da rodada indica que as negociações seguem abertas, mas condicionadas à evolução da crise regional, ao comportamento de Israel no Líbano, à posição do Hezbollah e à capacidade dos mediadores de manter Irã e EUA na mesa de diálogo.



