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Ualid Rabah: “Essa derrota supera a derrota no Vietnã, na minha opinião”

Presidente da Fepal afirma que acordo entre Irã e Estados Unidos evidencia fracasso da estratégia militar de Washington no Oriente Médio

EUA-Irã (Foto: Prensa Latina )
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247 - O presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah, afirmou que o avanço das negociações entre Irã e Estados Unidos representa uma derrota estratégica de Washington que, em sua avaliação, pode ser comparada — e até superar — a derrota norte-americana na Guerra do Vietnã.

Durante entrevista ao programa Bom Dia 247, da TV 247, Rabah argumentou que o acordo em construção entre Teerã e Washington ocorre após os Estados Unidos não conseguirem atingir seus objetivos por meio da pressão militar e econômica contra o Irã.

Segundo ele, o entendimento iniciado entre as partes prevê um período de 60 dias de negociações após uma etapa inicial que resultou em uma carta de princípios com 14 pontos. Entre os avanços já observados, destacou a eliminação de tarifas sobre exportações iranianas de petróleo e gás, além da suspensão de restrições relacionadas ao tráfego de navios no Estreito de Hormuz.

Para Rabah, o resultado das tratativas demonstra que os Estados Unidos foram obrigados a reconhecer a posição do Irã como ator central do Oriente Médio.

“Talvez essa possa ser a maior derrota estadunidense desde a Guerra do Vietnã”, afirmou.

Ao explicar a comparação, o dirigente da Fepal destacou diferenças entre os dois contextos históricos. Segundo ele, durante a Guerra do Vietnã, os vietnamitas contaram com amplo apoio internacional, incluindo União Soviética, China, Índia, Iugoslávia e diversos países alinhados ao movimento dos não alinhados.

No caso iraniano, argumentou, a situação foi distinta.

“O Irã se defendeu com sua indústria bélica, com sua capacidade econômica, política e diplomática. Esse é um feito que ainda vai reverberar”, disse.

Rabah afirmou que a estratégia adotada por Israel e por setores dos Estados Unidos buscava provocar uma mudança de regime em Teerã após os ataques realizados contra o país. Segundo ele, esse objetivo não foi alcançado.

Na avaliação do dirigente, o fracasso dessa estratégia permitiu que o próprio governo iraniano passasse a participar da definição dos rumos da região.

Ele também citou declarações recentes do presidente norte-americano Donald Trump para sustentar que a imagem de invulnerabilidade militar de Israel foi abalada. Rabah lembrou que Trump criticou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e afirmou que Israel não teria resistido sozinho aos ataques iranianos sem a intervenção dos Estados Unidos.

Para o presidente da Fepal, essa declaração teve um significado político mais amplo.

Segundo ele, ao reconhecer a dependência militar israelense, Trump teria contribuído para desmontar uma das bases da narrativa construída por Israel ao longo de décadas: a de que o país seria uma potência militar invencível.

Rabah também argumentou que a abertura das negociações revela uma mudança de percepção em Washington sobre a impossibilidade de reorganizar o Oriente Médio sem a participação iraniana.

“O que talvez esteja acontecendo é que os Estados Unidos cansaram da impossibilidade de trazer o Irã para uma cena de arbitragem geral do Oriente Médio sem o próprio Irã”, afirmou.

Na sua análise, a combinação entre a resistência militar iraniana, a manutenção de sua estrutura econômica mesmo sob décadas de sanções e a incapacidade dos Estados Unidos e de Israel de impor seus objetivos pela força criou uma nova correlação de forças na região.

Por isso, concluiu, o acordo em negociação não representa apenas um entendimento diplomático entre dois países, mas um reconhecimento do limite da estratégia norte-americana no Oriente Médio, fator que o leva a comparar o episódio à derrota sofrida pelos Estados Unidos no Vietnã.

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