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Brasil bate recorde de desconfiança sobre liberdade nos EUA

Pesquisa mostra que só 32% dos brasileiros acreditam que os EUA respeitam liberdades individuais de sua população

Donald Trump (Foto: Daniel Torok/Casa Branca)
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247 - Apenas 32% dos brasileiros afirmam acreditar que os Estados Unidos respeitam as liberdades individuais de sua própria população, o menor índice já registrado pelo Pew Research Center no Brasil, em um cenário de piora da imagem norte-americana e baixa confiança no presidente Donald Trump, informa a Folha de São Paulo.

O levantamento do Pew Research Center, divulgado nesta terça-feira (23), mostra uma queda expressiva na percepção positiva dos brasileiros sobre os Estados Unidos. Em 2013, durante o governo Barack Obama, 76% dos entrevistados no Brasil diziam confiar que o país respeitava as liberdades individuais de seus cidadãos. Agora, esse percentual caiu para 32%.

A pesquisa foi realizada entre 8 de fevereiro e 13 de maio deste ano e ouviu 42.151 pessoas em 36 países. Os dados indicam que a deterioração da imagem dos Estados Unidos não se limita ao Brasil. Na mediana global, apenas 37% dos entrevistados têm uma visão favorável do país, enquanto 57% manifestam opinião desfavorável.

A confiança internacional em Donald Trump também aparece em patamar baixo. Entre os países pesquisados, a mediana dos que dizem confiar no presidente americano para tomar decisões corretas em assuntos mundiais é de 23%. No Brasil, o índice é um pouco maior, de 30%, mas ainda distante da maioria da população entrevistada.

Imagem dos EUA piora entre brasileiros.

No Brasil, a parcela da população com opinião favorável sobre os Estados Unidos caiu de 64% em 2024 para 47% neste ano. Ao mesmo tempo, 43% dos brasileiros afirmam ter uma visão desfavorável do país.

Na América Latina, a avaliação dos Estados Unidos varia conforme o país. Colômbia e Peru mantêm visões majoritariamente positivas. Brasil e Argentina aparecem divididos. México e Chile, por sua vez, registram predominância de opiniões desfavoráveis.

O período de coleta dos dados ocorreu após um ano marcado por atritos diplomáticos e disputas comerciais entre Brasil e Estados Unidos. A pesquisa também abrangeu a visita do presidente Lula (PT) à Casa Branca e seu encontro com Donald Trump, em maio, em um momento relativamente menos turbulento na relação bilateral.

Os resultados, no entanto, foram coletados antes de episódios recentes de tensão entre Brasília e Washington, como a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos e a investigação comercial que pode levar à aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Baixa confiança em Donald Trump.

A avaliação de Donald Trump segue majoritariamente negativa entre os brasileiros. Segundo a pesquisa, 30% dizem confiar no presidente norte-americano para tomar decisões corretas em assuntos mundiais, enquanto 64% afirmam não confiar nele.

O índice de confiança em Trump também caiu em relação ao ano passado, quando era de 34%. Ainda assim, a percepção brasileira sobre o republicano é menos negativa do que a registrada em diversos países da Europa Ocidental.

Na comparação com outros líderes mundiais, Trump aparece em patamar semelhante ao de Emmanuel Macron, presidente da França, que registra 27% de confiança entre os brasileiros; Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, com 24%; e Xi Jinping, líder chinês, com 22%.

Para Richard Wike, diretor de pesquisas de atitudes globais do Pew Research Center, o resultado reflete uma combinação de fatores. Entre eles estão a avaliação do governo Trump, as políticas migratórias dos Estados Unidos e a percepção internacional sobre o funcionamento da democracia americana.

Em entrevista à Folha de São Paulo, Wike afirmou que a percepção negativa observada no Brasil acompanha uma tendência global. Segundo ele, cresceu em diversos países a preocupação com a saúde da democracia americana e com a forma como Washington atua no cenário internacional.

Desconfiança sobre papel internacional dos EUA

A pesquisa mostra que os brasileiros também passaram a enxergar os Estados Unidos com maior desconfiança em relação ao seu papel no mundo. Três em cada quatro entrevistados no Brasil, o equivalente a 76%, afirmam acreditar que Washington interfere nos assuntos internos de outros países.

Essa percepção é ainda mais forte entre os jovens. Na faixa de 18 a 29 anos, 82% dos brasileiros entrevistados dizem acreditar que os Estados Unidos interferem em temas de outras nações.

A queda de confiança vai além da avaliação sobre Donald Trump. Apenas 36% dos brasileiros consideram os Estados Unidos um parceiro confiável. Outro dado relevante é que 43% dizem acreditar que o governo americano leva em conta os interesses de países como o Brasil ao formular sua política externa. Em 2023, esse percentual era de 55%.

Também houve queda na percepção de que os Estados Unidos contribuem para a paz e a estabilidade global. Em 2023, 64% dos brasileiros compartilhavam essa visão. Agora, o índice caiu para 40%.

Segundo o relatório, a perda de confiança nos Estados Unidos como parceiro internacional está entre as mudanças mais significativas dos últimos anos. O estudo aponta recuos em diversos países na avaliação de que Washington é um aliado confiável, contribui para a estabilidade global e considera os interesses de outras nações em sua política externa.

Políticas de Trump têm baixa aprovação no Brasil

Os brasileiros desaprovam amplamente as principais iniciativas internacionais do governo Trump, de acordo com o levantamento. Apenas 25% aprovam sua condução das políticas migratórias. A aprovação é de 24% em relação à atuação do governo americano diante do Irã e de 22% quanto à gestão da guerra entre Rússia e Ucrânia.

O relatório também indica que a maior parte das entrevistas foi realizada após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã. Conforme análise do Pew Research Center, à medida que o conflito avançou durante o período de coleta, as opiniões sobre os Estados Unidos se tornaram mais negativas em parte dos países pesquisados.

A avaliação negativa também aparece em temas comerciais e geopolíticos. A aprovação dos brasileiros cai para 19% no caso das tarifas comerciais e para 16% na condução das discussões envolvendo a Groenlândia, território pertencente à Dinamarca que Trump constantemente reafirma desejar comprar e anexar, segundo o texto original.

Questionado sobre o resultado mais significativo da pesquisa, Richard Wike destacou a rápida deterioração da confiança internacional nos Estados Unidos como parceiro. "Em muitos países, as pessoas estão perdendo confiança nos Estados Unidos como um parceiro confiável, seja em questões de segurança, econômicas ou diplomáticas", afirmou.

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