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Esmael Morais

Jornalista e blogueiro paranaense, Esmael Morais é responsável pelo Blog do Esmael, um dos sites políticos mais acessados do seu estado

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Eduardo Bolsonaro pede rompimento PL-Novo e ameaça palanque de Moro, Deltan e Flávio no Paraná

Aliança entre lavajatistas, bolsonaristas e liberais enfrenta teste antes das convenções partidárias de julho, destaca o colunista Esmael Morais

Eduardo Bolsonaro e Romeu Zema (Foto: Reprodução/Redes Sociais I Reprodução )
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O ex-deputado Eduardo Bolsonaro inicia a semana empurrando a crise entre o PL e o Partido Novo para dentro do arranjo eleitoral do Paraná ao defender rompimento com a sigla de Romeu Zema (Novo), depois de nova crítica do ex-governador de Minas Gerais à relação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Daniel Vorcaro, preso no escândalo do Banco Master.

A consequência imediata da fala do filho zero três do ex-presidente Jair Bolsonaro é o constrangimento do palanque que juntou Sergio Moro (PL), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Flávio Bolsonaro em Curitiba.

A frase de Eduardo não foi diplomática. “Por mim rompia geral com o partido Novo”, escreveu ele no X, em reação a um vídeo de Zema. De acordo com levantamento do Blog do Esmael, PL e Novo são aliados em estados como Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás.

No plano nacional, o alvo é Zema. No Paraná, o efeito político cai sobre Deltan Dallagnol.

O ex-procurador da Lava Jato é do Novo e foi lançado ao Senado no mesmo arranjo em que Moro tenta o Governo do Paraná pelo PL, Filipe Barros disputa espaço ao Senado pelo PL e Flávio Bolsonaro busca palanque presidencial no quinto maior colégio eleitoral do país.

A crise expõe a contradição que o Blog do Esmael já apontou: o Novo tenta ser Zema no Brasil e Flávio Bolsonaro no Paraná. Com Eduardo verbalizando ruptura, a ambiguidade deixou de ser apenas desconforto interno e virou problema de comando eleitoral.

O eleitor conservador, liberal, lavajatista e bolsonarista pode receber duas ordens incompatíveis. A primeira é nacional: seguir Flávio Bolsonaro e o PL. A segunda é estadual: aceitar Deltan Dallagnol e o Novo no mesmo palanque.

Zema voltou a criticar Flávio por causa do episódio Daniel Vorcaro. O ex-governador mineiro disse que “quem anda com bandido merece ser visto com cautela”. Eduardo reagiu atacando Zema e defendendo rompimento com o Novo.

O caso não é apenas briga de rede social. Ele mexe em convenções, chapas, tempo de campanha, arrecadação, militância digital e fotografia de palanque.

No Paraná, a pergunta objetiva agora é uma só: Deltan Dallagnol continuará no mesmo palanque de Flávio Bolsonaro se a família Bolsonaro exigir rompimento com o Novo? Moro também passa a carregar o custo da contradição.

O senador se filiou ao PL para disputar o Palácio Iguaçu e se aproximou de Flávio Bolsonaro para garantir musculatura nacional. Ao mesmo tempo, precisa de Deltan para organizar o voto lavajatista e vender ao eleitor paranaense a imagem de chapa anticorrupção.

O problema é que o caso Vorcaro atinge justamente esse discurso. Se Zema cobra explicação de Flávio sobre a relação com o banqueiro, e Eduardo cobra rompimento com o partido de Zema, Moro e Deltan ficam no meio da trincheira.

Filipe Barros também entra no conflito. O deputado federal é aliado direto da família Bolsonaro, pré-candidato ao Senado pelo Paraná e estava no mesmo desenho de chapa com Deltan. Se o PL nacional endurecer contra o Novo, Filipe terá de escolher entre preservar o palanque local ou seguir a linha da família que comanda o voto bolsonarista.

A princípio, Deltan é tão concorrente direto de Filipe Barros quanto o PT e a deputada Gleisi Hoffmann. Por isso, a luta por uma vaga no Senado pode inflar essa guerra entre Eduardo Bolsonaro e o ex-procurador da Lava Jato.

O Novo do Paraná já havia tentado apagar o incêndio em maio, quando classificou como precipitada a crítica de Zema a Flávio e reafirmou a aliança com o PL no estado. A nova fala de Eduardo mostra que o problema não foi superado.

Ninguém precisa romper oficialmente para produzir dano político. Basta a dúvida pública sobre quem manda no palanque.

A direita paranaense vinha tentando vender unidade depois do ato de 29 de maio em Curitiba. Eduardo Bolsonaro colocou uma cunha nessa fotografia. A partir de agora, cada aparição conjunta de Moro, Deltan, Filipe e Flávio terá uma pergunta pendurada no microfone: o PL e o Novo estão juntos por convicção, conveniência ou falta de alternativa?

As convenções partidárias vão de 20 de julho a 5 de agosto. Até lá, a crise PL-Novo pode virar disputa por vaga, palanque e lealdade.

O eleitor do Paraná merece saber antes da campanha oficial quem estará na mesma chapa, quem defenderá Flávio Bolsonaro, quem seguirá Romeu Zema e quem usará Deltan Dallagnol apenas como peça de conveniência eleitoral.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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