Enquanto a mídia silencia, dados comprovam apoio ao fim da 6X1
Debate sobre o fim da escala 6x1 vai muito além da economia
Sabe o que deveria ter bombado na grande mídia e nas redes sociais nesta semana? A pesquisa do Sebrae que mostrou que mais da metade dos pequenos empresários e MEIs do Brasil acreditam que o fim da escala 6x1 não causará impactos negativos nos seus negócios — e que boa parte deles, inclusive, enxerga efeitos positivos na redução da jornada de trabalho.
Segundo o levantamento, 51% dos donos de micro e pequenas empresas e dos microempreendedores individuais avaliam que a redução da jornada não afetaria suas atividades. Outros 11%, inclusive, acreditam que a mudança pode trazer resultados positivos.
Mas isso quase ninguém viu. Afinal, aquilo que verdadeiramente interessa ao povo brasileiro não aparece nos jornais.
Incansavelmente, tentam convencer a população de que acabar com a escala 6x1 significa quebradeira, caos econômico e desemprego. Tentam transformar um direito básico ao descanso em ameaça nacional. Deputados, senadores e influenciadores digitais da direita, que nem sabem o que é trabalhar na vida, apregoam diariamente que permitir mais descanso para quem trabalha levará o país à bancarrota. E narrativas assim viram manchete todos os dias.
Agora, quando os próprios empresários começam a dizer que a realidade não é essa, o assunto simplesmente passa despercebido. E não é difícil entender o motivo.
Parte da grande mídia sempre tratou os interesses da maioria da população como algo secundário. Quando trabalhadores e trabalhadoras reivindicam melhores condições de vida, surgem análises apocalípticas. Mas, quando dados concretos desmontam esse discurso do medo, o silêncio fala mais alto.
A verdade é que o debate sobre o fim da escala 6x1 vai muito além da economia. Estamos falando de saúde mental, convivência familiar, dignidade e qualidade de vida. Estamos falando de milhões de pessoas que trabalham seis dias seguidos para descansar apenas um, muitas vezes sem tempo para viver.
E os próprios números mostram algo importante, que trabalhadoras e trabalhadores menos exaustos movimentam mais a economia. Consomem mais, circulam mais, estudam mais e empreendem mais. O próprio levantamento mostrou que setores como Economia Criativa, Logística e Transporte e Indústria Alimentícia estão entre os que mais enxergam a proposta de forma positiva.
Por isso, essa pesquisa importa tanto.
Porque são dados concretos que ajudam a derrubar a falsa ideia de que direitos trabalhistas e desenvolvimento econômico são incompatíveis. Não são. Nunca foram — e devem andar lado a lado.
E é justamente por isso que precisamos divulgar esse debate. Porque se aquilo que interessa à classe trabalhadora não ganha espaço espontâneo nas manchetes, cabe ao povo organizado fazer a informação circular.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



