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Emir Sader

Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

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Faria Lima gosta do Flávio

A direita sempre esteve buscando o anti-Lula. Passou por vários nomes, foi do Fernando Henrique Cardoso ao Bolsonaro

Flávio Bolsonaro (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)
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A Faria Lima, isto é, o grande empresariado, sempre procura alguém que possa ser alternativa ao Lula e ao PT. Não lhes importam os escândalos vinculados ao Vorcaro, que atingiram diretamente a imagem pública do Flávio. Se o Bolsonaro decidiu que ele seria o candidato e mantém a decisão, apesar desses problemas, o jeito é apoiar o Flávio.

Mas, além dessas circunstâncias políticas, está o programa. Flávio diz que resgatará o programa do governo do seu pai. Foi um programa abertamente neoliberal, com privatizações incluídas. Isso é o que interessa mais profundamente à Faria Lima. Um eventual governo que defenderia posições claramente neoliberais, que são as que interessam ao grande capital.

Não interessa que os escândalos sujem o nome do candidato. Mesmo com essa imagem, a direita brasileira é bolsonarista e, se o Bolsonaro indica que o filho seu é o candidato, a Faria Lima vai atrás.

A isso está reduzida a direita, a Faria Lima, o grande empresariado brasileiro. Entregaram-se ao bolsonarismo, fazendo com que a alternativa no Brasil seja Lula ou o filho que o Bolsonaro indicou.

O filho do Bolsonaro até ameaça ter um programa, que inclui o combate ao crime organizado e a retirada da reforma tributária, que exclui a grande maioria da população e acentua o pagamento dos de maior renda, que não tributavam.

Em suma, a direita tolera as denúncias de comprometimento do seu candidato com o Vorcaro, contanto que ele represente o anti-Lula da vez.

Mesmo com Lula a economia crescendo como nunca antes, a inflação e o desemprego estão controlados. Tudo o que poderia agradar aos empresários, mas isso se faz com políticas de priorização das políticas sociais, de diminuição das desigualdades sociais, com o fortalecimento do papel regulador e implementador de políticas sociais por parte do Estado, ao invés do Estado mínimo pregado pelo neoliberalismo.

Assim, a polarização política no Brasil contemporâneo se dá, inexoravelmente, entre Lula e o candidato indicado por Bolsonaro, seu filho. E a Faria Lima prefere a este, contra o Lula.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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