Investigado pela PF, Ciro Nogueira evita defender Flávio Bolsonaro no escândalo do Master: "se for culpado, tem que pagar"
Investigado pela suspeita de receber vantagens ilegais do ex-banqueiro, parlamentar diz que investigação sobre Flávio Bolsonaro deve ser “séria e isenta”
247 - O senador Ciro Nogueira (PP-PI) evitou sair em defesa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à Presidência da República, ao comentar as investigações relacionadas ao Caso Master nesta quinta-feira (21). O parlamentar afirmou que Flávio deve ser investigado como qualquer outra pessoa e que eventuais responsabilidades precisam ser apuradas pelas autoridades.
Em entrevista à TV Clube, Ciro afirmou não estar disposto a antecipar juízo sobre o senador do PL, mas defendeu que a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça conduzam uma apuração rigorosa, sem proteção política a qualquer envolvido.
“Eu não estou aqui para defender nem acusar o senador Flávio. Ele tem que ser investigado, como todos, como eu estou sendo. E, se for inocente, que seja, lógico, reconhecida a sua inocência. Se for culpado, tem que pagar exemplarmente”, afirmou Ciro. Ciro Nogueira é investigado pela Polícia Federal pelo suposto recebimento de vantagens ilícitas por parte de Daniel Voraro.
O senador também sustentou que o país não pode admitir favorecimento a pessoas suspeitas de irregularidades. “Neste país, não pode mais haver ninguém cometendo ilícito que possa ser beneficiado por proteção. Temos que investigar com isenção e, quem for inocente, que seja considerado inocente. E, se for culpado, que pague severamente, de acordo com a lei”, completou.
Ciro cobra apuração rápida da PF e do MP
Ao tratar do avanço das investigações, Ciro Nogueira disse esperar que a Polícia Federal e o Ministério Público esclareçam o caso com rapidez. Para ele, qualquer pessoa citada em apurações deve estar sujeita ao trabalho das instituições. “Ninguém está acima de ser investigado. Tem que haver uma investigação séria e isenta”, declarou.
O senador, porém, criticou o que chamou de “vazamento seletivo” de informações sobre o caso, afirmando que as divulgações estariam concentradas em nomes ligados à oposição. Ele também defendeu a própria trajetória política diante de eventuais suspeitas.
“Se for comprovada alguma coisa ilícita que possa manchar a minha honra, eu jamais vou voltar para o meu estado com alguma mácula no meu mandato”, afirmou.
Ciro cita prisão de Lula ao falar de impacto eleitoral
Questionado sobre a possibilidade de Flávio Bolsonaro perder apoio político em razão da repercussão do Caso Master, Ciro Nogueira citou o presidente Lula como exemplo de reviravolta na política nacional.
“Nós já tivemos no país um presidente da República que ficou preso 500 dias e hoje é o presidente da República. Então, espero que se esclareçam essas situações”, disse.
O senador voltou a afirmar que não pretende condenar nem absolver Flávio Bolsonaro antes da conclusão das investigações. “Eu não estou aqui para pré-julgar nem para absolver ninguém. Acho que temos que confiar no trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e, principalmente, da Justiça, para fazer um julgamento isento”, pontuou.
Flávio Bolsonaro e a relação com Daniel Vorcaro
Flávio Bolsonaro passou a ser citado no contexto do Caso Master após a divulgação de que o banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, Vorcaro teria pago R$ 61 milhões no projeto.
Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro está preso em Brasília. Ele é acusado pela Polícia Federal de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que, segundo a investigação, pode chegar a R$ 12 bilhões.
As informações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro foram reveladas pelo Intercept Brasil, que teve acesso a mensagens trocadas entre os dois e a um áudio enviado por Flávio ao banqueiro em setembro do ano passado. Os dois também teriam se encontrado presencialmente depois da primeira prisão de Vorcaro, no fim de 2025.
Flávio Bolsonaro afirmou que buscou Vorcaro para um patrocínio privado e disse que não tinha conhecimento da gravidade do caso envolvendo o banqueiro quando o procurou como investidor.
“Eu fui, sim, para o encontro dele, para botar um ponto final nessa história, é dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco”, disse Flávio.



