Fim da escala 6x1: uma pauta urgente para o trabalhador brasileiro
Ao ampliar o tempo livre, pessoas que cumprem uma jornada exaustiva durante a semana terão uma qualidade de vida melhor
No ano em que se completam 102 anos da instituição do 1º de Maio como feriado do Dia do Trabalhador e 86 anos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a classe trabalhadora de todo o Brasil tem mais um grande desafio pela frente: pressionar o Congresso Nacional pela aprovação do projeto de lei, enviado à Casa pelo governo federal, que prevê a redução da atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Ou seja, o fim do modelo em que o trabalhador folga apenas um dia na semana e trabalha seis, a famosa escala 6x1.
A categoria dos bancários já trabalha com uma jornada semanal inferior a 40 horas semanais, por isso sei da importância e dos ganhos que essa redução vai levar para os milhões de trabalhadores brasileiros que cumprem a atual jornada exaustiva.
Informações do Ministério do Trabalho revelam que cerca de 37,2 milhões de trabalhadores brasileiros cumprem uma jornada acima de 40 horas semanais, o equivalente a aproximadamente 74% dos profissionais com carteira assinada. Destes, cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham na escala 6x1, com apenas um dia de descanso durante a semana. Aproximadamente 1,4 milhão são trabalhadores domésticos.
Ao ampliar o tempo livre, essas pessoas que cumprem uma jornada exaustiva durante a semana terão uma qualidade de vida melhor, com fortalecimento da convivência familiar e redução dos impactos negativos na saúde física e mental. Para se ter uma ideia, apenas em 2024, o país registrou cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho.
Apesar da resistência à medida, lembro aqui que, nestes mais de 40 anos de atuação, presenciei diversas reações contrárias do setor empresarial e de diferentes segmentos da economia, especialmente em relação a projetos que buscam garantir algum benefício à classe trabalhadora. A desculpa é sempre a mesma: “Se esse projeto de lei for aprovado, os empresários vão quebrar”, dizem aqueles que já gozam de diversos benefícios.
Os livros de história já nos mostraram que esse argumento de quebra da economia foi utilizado diversas vezes. Na época da escravidão, quando o movimento abolicionista defendia o fim da exploração da mão de obra escravizada, que vigorou no Brasil por cerca de 400 anos, setores da economia também afirmavam que, se as pessoas escravizadas fossem libertadas, a economia brasileira iria quebrar. Não quebrou.
Também não quebrou quando a classe trabalhadora conquistou outros direitos, como o 13º salário, em 1962, diante da mesma resistência do setor empresarial, que alegava impactos negativos no mercado. Olhando para esse histórico de lutas e avanços, afirmo que a economia brasileira não vai quebrar com a redução da jornada atual, assim como não quebrou em outros momentos em que lutamos por direitos e dignidade no trabalho, especialmente porque, hoje, o Brasil está entre as dez maiores economias do mundo e possui reconhecimento internacional.
Vale lembrar que os trabalhadores brasileiros não estão sozinhos nesse caminho. Diversos países já adotaram jornadas menores, com resultados positivos para a economia e para a sociedade. A redução da jornada é uma tendência global e um passo necessário para um modelo de desenvolvimento mais humano e equilibrado.
Neste 1º de maio, a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa reafirma, mais uma vez, o seu compromisso com a luta por igualdade de direitos. Mais do que nunca, seguimos ao lado das trabalhadoras e dos trabalhadores brasileiros, defendendo direitos, combatendo desigualdades e construindo um caminho em que o trabalho seja sinônimo de justiça social — e não de exaustão.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



