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Aquiles Lins

Aquiles Lins é colunista do Brasil 247, comentarista da TV 247 e diretor de projetos Norte, Nordeste e Centro-Oeste do grupo.

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Globo defende Moro como num pacto de sangue

"O Globo reconhece que Moro foi um instrumento fundamental e eficiente na efetivação dos interesses defendidos pelo jornal carioca", escreve Aquiles Lins

Moro ladeado por João Roberto Marinho e Ascânio Seleme (Foto: Reprodução/Globo)
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O jornal Globo sai em defesa do ex-juiz e atual senador Sérgio Moro com a veemência de uma leoa, ou melhor, de uma mãe pata que acolhe e protege dos perigos do mundo o marreco rejeitado e ameaçado. Nas horas decisivas, o jornal da família Marinho estará ao lado de Moro. A mais recente demonstração deste laço maternal foi o editorial desta quarta-feira (3) em que o Globo diz que as acusações de caixa dois e de gastos excessivos da campanha para o Senado “desafiam a lógica e a realidade”, e questiona até o Poder Judiciário. “O risco de uma cassação motivada por acusações tão frágeis não é apenas cercear o voto dos quase 2 milhões de eleitores de Moro, mas pôr em questão a credibilidade da própria Justiça Eleitoral", pressionou o jornal no editorial. 

A ascensão de Sérgio Moro à fama nacional deu-se à sua atuação como juiz na operação Lava Jato. A cobertura da Lava Jato pela Rede Globo e pelos demais veículos da mídia corporativa foi intensa e amplamente favorável às ações de Moro e dos procuradores liderados por Deltan Dallagnol. Estes holofotes e discursos uníssonos foram definitivos na construção da imagem de suposto símbolo de combate à corrupção e suposto defensor da justiça. Em 2015, Moro recebeu do jornal O Globo o “Prêmio Faz Diferença” como personalidade do ano. A emblemática foto do então juiz segurando o prêmio nas mãos, ao lado do então vice-presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e do então diretor de Redação do Globo, Ascânio Seleme, sela o pacto de sangue. 

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Um ano depois, em março de 2016, Moro comete o crime de interceptar uma ligação da presidente Dilma Rousseff com Lula, e divulgar o áudio para a mídia no mesmo dia. O Jornal Nacional da Globo exibiu a conversa entre Lula e Dilma sobre a nomeação de Lula como ministro da Casa Civil. Isso abriu caminho para uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, que suspendeu a nomeação de Lula feita pela presidenta Dilma e aprofundou a desestabilização política do governo e abriu caminho para o golpe de 2016, que retirou a presidenta do cargo sem provas de que ela tenha cometido crime de responsabilidade. 

O Globo reconhece que Moro foi um instrumento fundamental e eficiente na efetivação dos interesses defendidos pelo jornal carioca, que eram o enfraquecimento político do PT e a inabilitação de seus maiores líderes, o hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a então presidenta Dilma Rousseff. O Globo foi parte significativa da estratégia simbiótica, do ciclo de retroalimentação que se criou entre Judiciário, Ministério Público e mídia na Lava Jato. Não nos esqueçamos de que em 2017, na sentença em que condenou Lula a 9 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro em "ato de ofício indeterminado", o juiz Sérgio Moro mencionou duas reportagens do jornal O Globo de 2010 que ligavam Lula ao famigerado tríplex no Guarujá como provas relevantes. Uma farsa que aparece na mídia e vira prova no judiciário. Com base nessas “provas” e na delação fajuta do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, Lula foi preso por 580 dias e impedido de concorrer à Presidência nas eleições de 2018. A sentença de Moro foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal em 2021, que considerou Moro um juiz suspeito e incompetente para julgar o caso. O Globo sai em defesa do mandato de sua cria política mais destrutiva, de seu herói comprado na planta.

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