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Mario Vitor Santos

Mario Vitor Santos é jornalista. É colunista do 247 e apresentador da TV 247. Foi ombudsman da Folha e do portal iG, secretário de Redação e diretor da Sucursal de Brasilia da Folha.

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Investigação de pagamentos de Vorcaro a Ciro Nogueira expõe engrenagens típicas do Bolsomaster

Ciro Nogueira foi chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro e um dos principais estrategistas e operadores políticos do governo

Ciro Nogueira seria 'destinatário central' de vantagens indevidas de Vorcaro, diz PF (Foto: Reprodução)

A decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou hoje busca e apreensão, suspensão de empresas, proibição de comunicação entre investigados e até prisão preventiva em investigação envolvendo o empresário Daniel Vorcaro lançou o senador Ciro Nogueira no centro de apurações sobre indícios de um esquema de corrupção com ramificações políticas no entorno do Banco Master.

De imediato, o caso agrava politicamente o  legado maléfico do governo de Jair Bolsonaro e contamina também a pretensão presidencial de seu filho, Flávio Bolsonaro, herdeiro eleitoral do bolsonarismo e já associado ao escândalo das rachadinhas no Rio de Janeiro.

Segundo os elementos reunidos pela Polícia Federal, haveria evidências de repasses periódicos, benefícios patrimoniais baseados em valores fraudados e atuação política convergente com interesses empresariais ligados ao grupo investigado.

Não se trata de uma figura secundária do bolsonarismo. Ciro Nogueira foi chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro e um dos principais estrategistas e operadores políticos do governo. Era peça central da aliança entre o Palácio do Planalto e o Centrão, além de atuar como um dos mais agressivos chefes de torcida de Bolsonaro.

Os indícios descritos na investigação revelam um padrão que lembra o funcionamento do que se poderia chamar de “Bolsomaster”: um sistema político marcado pela proximidade entre poder econômico, influência parlamentar e articulação institucional. Segundo os investigadores, há suspeitas de que propostas legislativas favoráveis ao Banco Master tenham sido elaboradas em ambiente ligado ao grupo empresarial e posteriormente apresentadas no Senado.

A decisão foi assinada pelo ministro André Mendonça, indicado ao STF por Bolsonaro. Diante da volumosa investigação,  o magistrado não pode senão indicar indícios de uma relação que poderia ultrapassar vínculos pessoais e sugerir convergência de interesses entre o grupo econômico investigado e agentes políticos influentes.

Outro personagem relevante nesse contexto é Fabiano Zettel, sócio e cunhado de Vorcaro. Zettel foi importante doador eleitoral de campanhas ligadas ao bolsonarismo, incluindo contribuições para Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Naturalmente, doações legais não constituem crime. Ainda assim, os elementos reunidos pela investigação reforçam indícios de uma rede política e empresarial associada ao núcleo de poder bolsonarista.

A defesa de Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade. Os advogados do senador afirmam que não houve corrupção, favorecimento ilícito ou prática criminosa, sustentando que a atuação parlamentar do ex-ministro ocorreu dentro da legalidade e das prerrogativas do mandato.

Mas a dimensão política do caso ultrapassa evidentemente o terreno estritamente judicial. Os indícios de possível corrupção envolvendo interesses privados, atuação parlamentar e um dos principais líderes do Centrão bolsonarista tornam indispensável a abertura de uma CPMI para investigar o Banco Master e suas conexões políticas.

O Congresso Nacional não pode permanecer inerte diante de suspeitas que atingem figuras centrais do poder construído durante o governo Bolsonaro. O país precisa saber se houve captura de estruturas políticas por interesses empresariais e até onde avançou essa possível engrenagem de influência, favorecimento e corrupção. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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