Jair Messias e o destino de Jair Messias

"Num quadro em que além do desmoronamento de tudo, o radicalismo enlouquecido dos seguidores de Jair Messias é uma ameaça cada vez maior", escreve Eric Nepomuceno, do Jornalistas pela Democracia. "Por mais que sejam minoria, são suficientes para causar tumultos extremamente violentos"

www.brasil247.com - Bolsonaro em Culto alusivo ao 1º Encontro Fraternal de Líderes Evangélicos, em Goiás
Bolsonaro em Culto alusivo ao 1º Encontro Fraternal de Líderes Evangélicos, em Goiás (Foto: Alan Santos/PR)


Por Eric Nepomuceno, do Jornalistas pela Democracia

Em seu golpismo desenfreado, Jair Messias explicou neste sábado, diante de uma nutrida plateia de evangélicos, que tem três alternativas de futuro: ser preso, ser morto ou a vitória.

E no melhor do seu estilo, esclareceu: não tem quem possa prendê-lo, sua vida depende do que Deus decida, e a vitória depende “de vocês, o povo”.

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Tornou a dizer que não pretende promover nenhuma ruptura, mas que “tem limite para tudo”.

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Sem nomear ninguém, denunciou os abusos de “dois senhores”, em clara alusão aos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, que aliás preside o Tribunal Superior Eleitoral. E com isso deixou claro, pela milésima vez, que nem sonha em baixar a tensão entre Poder Executivo e Poder Judiciário. Ao mesmo tempo, incentiva as mobilizações de rua contra seus integrantes, e de passo também contra o Congresso, especialmente o Senado.

Aliás, é bom lembrar que além de ter sofrido importantes derrotas no Congresso – apesar de ter alugado o tal Centrão e da cumplicidade imunda do presidente da Câmara – Jair Messias é investigado em dois processos no Supremo Tribunal Federal.

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Reiterando seu compromisso com “o povo”, aproveitou para de novo convocar os evangélicos, parte substancial de sua base de apoio mais fanatizada, para as manifestações do 7 de setembro. Claro que tornou a criticar as vacinas e a defender medicamentos que além de serem comprovadamente ineficazes provocam danos colaterais graves, mantendo elevado seu pavilhão de cretinice de ilimitada. Foi aplaudido com euforia. Conforme se aproxima o 7 de setembro, cresce a tensão. As intenções de Jair Messias e de seus seguidores mais radicais se resumem a promover atos violentos, por mais que ele negue. Na sua cachola psicopata, seu verdadeiro destino se resume à vitória, mas não necessariamente nas urnas: no golpe. E quando nos lembramos de que, além dos evangélicos, ele conta com o apoio da maior parte das Polícias Militares e dos militares de baixa patente, e que eles também estarão nas ruas no 7 de setembro, a preocupação cresce.

Num quadro em que além do desmoronamento de tudo – absolutamente tudo – levado a cabo pelo mais abjeto governo da história da República ainda temos uma economia desmilinguindo e uma inflação crescendo, o radicalismo enlouquecido dos seguidores de Jair Messias é uma ameaça cada vez maior. Por mais que sejam minoria – as pesquisas indicam que 64% dos entrevistados consideram seu governo ruim ou péssimo – são suficientes para causar tumultos extremamente violentos. 

Para tornar o cenário ainda mais sombrio, temos uma Polícia Militar que, em sua maioria, muito mais que força de segurança pública surge como ameaça num quadro de tensão cada vez mais robusta.

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Como será o 7 de setembro “do povo”, entendendo-se por “povo” a seita delirante de seguidores de Jair Messias?

O que não entendo e ninguém explica é por que diabos quem tem condições de controlar a besta-fera ou diretamente extirpá-la do poder se mantêm apáticos, poltrões contemplativos do caos.

Na gaveta do espancador de mulher que ocupa a presidência da Câmara cochilam mais de 120 pedidos de impeachment. Sobram provas de que Jair Messias cometeu pelo menos vinte crimes de responsabilidade. E daí? Pois e daí, nada.

A história registrará os nomes dos cúmplices e dos encobridores do desastre mais que anunciado.

Mas será demasiado tarde: o presente será passado e o futuro, o contrário radical do que poderia ter sido.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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