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Oliveiros Marques

Sociólogo pela Universidade de Brasília, onde também cursou disciplinas do mestrado em Sociologia Política. Atuou por 18 anos como assessor junto ao Congresso Nacional. Publicitário e associado ao Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (CAMP), realizou dezenas de campanhas no Brasil para prefeituras, governos estaduais, Senado e casas legislativas

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Jorge Messias para ministro da Justiça

"Como resposta objetiva - não apenas a Alcolumbre, mas também ao conjunto desse movimento político -, que Lula nomeie Jorge Messias como ministro da Justiça"

Jorge Messias (Foto: Ag. Senado)

É fato que a não aprovação de Jorge Messias para a vaga em aberto no Supremo Tribunal Federal foi uma derrota para o governo. Assim como é fato que essa derrota foi maquinada pelo senador Davi Alcolumbre. Sua postura corporal ao se levantar da cadeira ao encerrar a sessão, após declarar o resultado, e o tom de voz com que fez essa declaração traduziram, de forma clara, a soberba de um vencedor de alma pequena.

“O que fazer?”, diria Vladimir Lenin.

Penso que cabe ao governo - quiçá ao próprio presidente Lula - se inspirar na resistência dos negros amapaenses e entoar os versos da verdade. Dizer à sociedade brasileira o que de fato está por trás do movimento do presidente do Senado. Quais os motivos reais que levaram o senador do Amapá a patrocinar os votos contrários à indicação presidencial.

Afastar de pronto, imagino, a tese de que os reais motivos residem na não indicação do seu preferido, Rodrigo Pacheco. Isso é espuma na movimentação. Isso já estaria, de antemão, contabilizado pelo senador. Não foi o fato de o senador mineiro ter sido preterido a força motriz da rebeldia. Não saberia dizer, com precisão, o que de fato motivou Alcolumbre. Mas é difícil crer que tenha sido isso.

Especular outros motivos, no entanto, é possível. É sabido que, durante o governo Bolsonaro, o senador amapaense e seu grupo constituíram um espaço de poder nunca antes visto na República. Pressionando um governo frágil do ponto de vista de elaboração e articulação na sociedade política, avançaram a ponto de quase se tornarem um poder executivo paralelo.

Mais espaço político justificaria o movimento do senador? Vai saber. O que sabemos, por exemplo, é que há mais de uma dezena de vagas nas agências reguladoras que devem ser preenchidas este ano. Haveria interesse nelas? Não sabemos. Mas não seria absurdo imaginar que aí resida parte do combustível para a movimentação que vimos no Senado Federal nesta quarta-feira.

Se for esse o caso, imagino que o governo deva vir a público e afirmar, de maneira clara, que os limites republicanos das negociações políticas não serão ultrapassados. Que Lula não aceita avançar o sinal e que, portanto, aceitando o resultado da votação, o Supremo Tribunal Federal siga com apenas dez ministros até que, em outro momento, o tema possa ser retomado - quem sabe após o ciclo eleitoral.

Agora, como resposta objetiva - não apenas a Alcolumbre, mas também ao conjunto desse movimento político -, que Lula nomeie Jorge Messias como ministro da Justiça. Porque, se o jogo é jogado, que se entre em campo de gramado alto com as devidas travas na chuteira. E que Messias siga o trabalho nesse ministério, com todos os órgãos que lhe são subordinados, reafirmando autoridade, presença e capacidade de condução institucional.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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