Juiz de Fora conta seus mortos e presta socorro às vítimas da chuva
Corte de verbas feito por Zema, de 95% na infraestrutura de combate aos impactos das chuvas, decaíram de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões entre 2023 e 2025
A chuva forte voltou a cair no município de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, na noite de terça-feira, ampliando no balanço de hoje a tragédia que desde segunda-feira (23/02) se abateu sobre a região. As atividades de resgate e retirada de moradores das áreas de risco tomaram todo o dia (26/02). Ao final da tarde, às 17h20, a prefeitura, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil apresentaram os novos números que só fazem crescer. Por trás deles, mortes, perdas e sofrimento.
Nesta quarta, os óbitos confirmados subiram para 52, assim como também o total de desabrigados e desalojados: 4.200. As equipes da Defesa Civil atenderam a 1.501 ocorrências desde o início dos temporais.
Juiz de Fora enfrenta o fevereiro mais chuvoso de sua história. São mais de 190 milímetros de chuva concentrados em um curtíssimo período. Só na estação pluviométrica do Marumbi, na região Leste, foram 592,51mm de chuva até a última segunda-feira, quando se abateu sobre a cidade quatro horas ininterruptas de forte tempestade. O número corresponde a três vezes o esperado para todo o mês de fevereiro que é de 170,3 mm, historicamente.
A força e o volume da água e consequente a movimentação de terras causaram uma das maiores tragédias da história da cidade: 101 pessoas foram vítimas de soterramentos, na noite da própria segunda-feira, sendo que 30 delas tiveram os óbitos confirmados e outras 31 estão desaparecidas. O número de óbitos, infelizmente, subiu para 52, conforme descrito acima.
Equipes do Corpo de Bombeiros de todo o estado de Minas Gerais e Rio de Janeiro, Defesa Civil Estadual, Nacional, de Porto Alegre (RS) e São Sebastião (SP), além de voluntários do Grupo Especializado em Desastres Naturais (GEDEN), CREA-MG, CRT-MG, IF, IFET se mobilizaram na realização de vistorias nas áreas atingidas, no resgate das vítimas, na busca por desaparecidos e no apoio e evacuação das vias. Já num primeiro momento, 25 ruas foram interditadas.
Só entre segunda-feira, 23, dia da maior concentração das chuvas, até agora, o número de ocorrências, que antes estava na casa de 849, praticamente dobrou. As regiões mais afetadas foram a Leste (267), Norte (158), Sul (130), Sudeste (136), Centro (60), Nordeste (54), Oeste (44), conforme números do balanço feita ontem. Desse total, a maior parte delas é relacionada aos escorregamentos de talude: 500 ocorrências e 88 ameaças de escorregamento. Também foram 43 ocorrências de alagamento. Ao todo, o mês de fevereiro já registrou 1.277 ocorrências.
Como disse ao 247, em entrevista ao programa Brasil Agora, a secretária municipal de Desenvolvimento Urbano, Cidinha Louzada, os que estão na ação de auxílio às famílias enlutadas ou desalojadas e desabrigadas, não podem se fixar em rostos, nomes. Por trás deles há dramas indescritíveis. "Se nos fixarmos em nomes e rostos a gente paralisa, tamanha a dor. Existem entre eles famílias que conhecemos, crianças que pegamos no colo. O importante agora é acolher e prestar socorro. Sem esmorecer."
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



