Lady Macbeth está à espreita dos empresários
Há um ambiente de julgamentos antecipados que envolve uma parte da mídia e alguns órgãos públicos, com impacto na geração de empregos e renda
Há algo de podre no reino da Dinamarca, ou mesmo no Brasil; ou no condado de quem controla, fiscaliza e vaza as informações, que serão superlativas. A mídia está certa. Quanto maior o impacto causado pela notícia, maior será a venda. Vale a pena uma apuração mais detalhada e cuidadosa, sem criminalização e julgamento antecipados. É provável que a imprensa esteja sendo instrumentalizada. Mas esse é um outro assunto. O que nos interessa agora é acompanhar as pegadas do bardo (poeta da Antiguidade que narrava de maneira épica a história e os feitos de um povo. Shakespeare ganhou o título de “Bardo de Avon”).
Estão as instituições de controle e de fiscalização se tornando uma Lady Macbeth à procura de suas três feiticeiras, para criminalizá-las e divulgar que elas fazem parte de organizações criminosas?
Apontado de forma leviana, é certo que os perdedores são a carrada de empregos — a parte frágil do tecido social. O Estado Democrático de Direito sofre fortes agruras; e o Estado de Exceção, encerrado no ciclo militar, dá sinais vigorosos de vitória.
Tome-se o exemplo de Jorge Gerdau Johannpeter, 88 anos, que quase perdeu parte de seu negócio devido à arrogância de Donald Trump com o tarifaço. “Eu me senti um analfabeto em estratégia de negócios”, disse à época o grande empresário.
Outro exemplo é o do saudoso Abílio Diniz (1936-2024), que enfrentou com bravura 18 disputas, segundo a insuspeita EXAME, e criou uma das maiores empresas brasileiras. Conseguiu reerguê-la em suas piores crises, mas não sem gerar desafetos e enfrentar a fúria de órgãos públicos.
Nelson Tanure bem que poderia parafrasear o diálogo de Shakespeare. O empresário e investidor pede um laudo isento, sobretudo quando o ameaçam a todo momento, até mesmo em um embarque a trabalho no Aeroporto do Galeão (RJ).
Chegou a hora de dar um ponto final a este Otelo, que circula livremente pelos órgãos de destruição de imagens e permanece solto, à mercê das intrigas. Otelo é um general mouro que se casa com a bela Desdêmona, mas é manipulado pelo invejoso Iago, que o induz a acreditar que a esposa o trai com Cássio, levando-o ao ciúme doentio e à loucura, culminando no assassinato de Desdêmona e no suicídio de Otelo. Iago é um personagem malévolo, que provoca o ódio em Otelo.
Há vários Otelos encastelados em órgãos públicos, que deveriam zelar pela defesa do cidadão, e, infelizmente, em alguns veículos da mídia, que não usam o rigor de um Shakespeare para apurar e produzir notícias, como o faz, com precisão cirúrgica, um The New York Times ou um The Guardian.
Há algo mesmo de podre no ar, e não são apenas os aviões de carreira. Esta coluna é otimista porque o Brasil vive um momento singular: saiu do Mapa da Fome e apresenta uma taxa de desemprego baixa, com aumento do salário real médio. Não é pouca coisa.
Por isso, acredita-se nas “Noites brancas” do verão da antiga São Petersburgo, descritas por Fiódor Dostoiévski. Ali, o escritor russo apresenta uma atmosfera romântica e fantasmagórica. O sol praticamente não se põe. É nisso que eu sempre aposto: a luz do sol é o melhor caminho para desvendar supostos malfeitos e apurar a verdade.
Os empresários vencedores, como Gerdau e Tanure — Diniz diria o mesmo —, querem apenas uma Justiça escorreita e uma imprensa livre. E previsibilidade. Não é pedir muito.
Há uma frase lapidar do então advogado e futuro presidente da República dos Estados Unidos, Abraham Lincoln (1809-1865), sobre as injustiças:
“Se eu fosse tentar ler ou mesmo responder a todos os ataques feitos contra mim, esta firma também poderia estar fechada para qualquer outro negócio. Eu faço o melhor que eu sei. E tenho a intenção de continuar a fazê-lo até o fim. Se, no fim, eu for percebido como certo, o que é dito contra mim equivalerá a praticamente nada. Se eu estiver completamente errado, dez anjos jurando que eu estava certo não farão a menor diferença".
O texto foi emoldurado no escritório de um grande empresário, em plena artilharia institucional sem precedentes na história empresarial. Ele fora alvo da PF, do MPF, do Judiciário e de ataques de boa parte da mídia. Foi inocentado de todas as acusações imputadas a ele, a seus executivos e a seus múltiplos negócios, que hoje esbanjam prosperidade e geram empregos e renda para milhares de pessoas. Não precisou dos anjos.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.


