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Cresce no STF a pressão para que Toffoli deixe o caso Master

Ministro se vê isolado após decisões contestadas e suspeita de conflito de interesses envolvendo o escândalo do banco de Daniel Vorcaro

Dias Toffoli (Foto: Antonio Augusto/STF)

247 - Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), cresce a avaliação de que o ministro Dias Toffoli não deve permanecer como relator do chamado Caso Master, investigação que envolve o escândalo do ex-banco controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. A percepção predominante em Brasília é a de que a condução do processo pelo ministro se tornou politicamente e juridicamente insustentável diante de episódios recentes, informa Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Dois fatores principais impulsionam esse consenso. O primeiro diz respeito a uma sequência de decisões classificadas como heterodoxas tomadas por Toffoli ao longo de cerca de 50 dias à frente do caso. Parte dessas deliberações acabou sendo revista pelo próprio ministro, diante das críticas ao que foi descrito como excesso ou exotismo jurídico.

O segundo ponto envolve um conflito de interesses considerado evidente por integrantes do meio jurídico. Reportagens publicadas neste mês pelos jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo revelaram conexões entre um resort localizado no Paraná, pertencente a familiares de Toffoli, e a estrutura de fundos fraudulentos atribuída a Daniel Vorcaro. A revelação reforçou o desgaste do ministro no comando do processo.

De acordo com relatos de bastidores, não há ministros do STF dispostos a defender a permanência de Toffoli como relator do caso. Diante desse cenário, passaram a ser discutidas alternativas para sua substituição. A hipótese considerada mais provável é a de que o próprio ministro solicite afastamento, alegando problemas de saúde, solução que dependeria de negociação direta e da concordância de Toffoli.

Caso esse caminho seja adotado, a relatoria do Caso Master seria definida por meio de sorteio entre os ministros da Corte. Nesse contexto, a defesa de Daniel Vorcaro demonstra expectativa de que o processo venha a ser redistribuído ao ministro Nunes Marques, visto internamente como um nome mais favorável aos interesses do empresário.

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