Leandro Grass anuncia saída do Iphan para disputar o Governo do Distrito Federal
Ele compara a situação de Brasília à destruição do 8 de janeiro e diz que é preciso tirar o GDF “das mãos dessa turma criminosa”
O sociólogo Leandro Grass anunciou sua saída da Presidência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) com uma nova missão: vai disputar as eleições para o Governo do Distrito Federal “Não temos só chance (de vitória) como a necessidade de tirar o Governo do Distrito Federal das mãos dessa turma criminosa”, disse.
A tarefa pode ser comparada ao que ele fez assim que assumiu o Iphan, em 9 de janeiro de 2023, quando os palácios da Praça dos Três Poderes foram destruídos pelos atos golpistas dos militantes bolsonaristas.
O Governo do Distrito Federal está no centro de escândalos, inclusive o do Banco Master, e hoje há risco do banco público de Brasília, o BRB, ser liquidado ou sofrer intervenção federal.
O banco comprou carteiras fraudulentas do Banco Master, num prejuízo que pode passar de 12 bilhões de reais, enquanto o escritório de advocacia do governador fazia contratos milionários com o grupo de Daniel Vorcaro.
Por isso, assim como houve conivência da Polícia Militar do Distrito Federal com a intentona golpista, o GDF também falhou na gestão do patrimônio do BRB.
No vídeo publicado pela TV 247, com a entrevista que realizei com Grass, são divulgadas cenas do documentário “8 de Janeiro: Memória, Restauração e Democracia”.
O filme, dirigido por Michael Kerr, mostra o trabalho primoroso dos professores e alunos do curso de conservação e restauro da Universidade Federal de Pelotas.
No início, o governo cogitou contratar empresas especializadas para fazer o trabalho de recuperação dos bens destruídos, mas o Governo Federal, juntamente com o Iphan, decidiu fazer a parceria com a Universidade Federal de Pelotas, que tem autonomia, mas é vinculada ao Ministério da Educação.
O resultado é que o custo foi muito menor do que haveria caso houvesse a contração de uma empresa privada. Grass liderou esse trabalho e, em pouco tempo, o patrimônio cultural foi recuperado.
“Houve espírito de diálogo, houve disposição para pensarmos soluções conjuntas, de entendermos que, quando nós damos as mãos, quando as instituições somam seus esforços, as coisas ficam mais fáceis. Então, foi isso que aconteceu. Com essa parceria, essa triangulação entre a Presidência, o Iphan e a Universidade Federal de Pelotas, vimos que havia a possibilidade de juntarmos nossos esforços, e usarmos os instrumentos de gestão possíveis, usarmos as ferramentas que nós temos à disposição, para aplicarmos o orçamento, para termos esse orçamento devidamente colocado a partir daquilo que vai ser necessário”, explicou.
Grass quer levar essa experiência bem sucedida para o governo da capital da república.
“Todo trabalho que o Iphan faz e as demais instituições, de recuperar e preservar o patrimônio, é um gesto também de fortalecimento da democracia. Nós queremos que as atuais e as futuras gerações entendam que patrimônio cultural, que os nossos bens culturais, são nossos, de fato, embora os edifícios e as peças danificados sejam de responsabilidade das instituições, no fundo quem sustenta e quem mantém isso é o povo”, destacou.
Na mais recente pesquisa de opinião, realizada pelo instituto Veritá, Grass tem 25,1% das intenções de voto. Já Celina Leão, atual vice-governadora e pré-candidata a governadora na chapa de Ibaneis Rocha tem 32,7%.Ricardo Capelli (PSB, mesmo campo político de Grass) aparece com 6,2%.
Grass acredita que haverá composição com o pré-candidato do PSB. Somando as intenções de voto dos dois pré-candidatos, Grass estaria em empate técnico com Celina Leão.
“Absolutamente nós estaremos juntos, eu não tenho dúvida disso, porque nós temos responsabilidade, lucidez e maturidade política para entender que, só juntos, nós venceremos as eleições, e nós vamos vencer”, afirmou.
A chapa que está sendo formada sob a liderança do PT, Erika Kokay foi definida como como candidata ao Senado, juntamente com Leila, candidata à reeleição, do PDT.
Capelli poderia ser candidato a vice-governador ou ser escolhido para a primeira suplência de Erika Kokay. As articulações estão em curso.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



