“O governo do DF quer socializar o prejuízo de uma fraude do Banco Master”, diz Leandro Grass
O sociólogo, que foi candidato ao governo do Distrito Federal, critica possível uso de dinheiro público para socorrer o BRB no caso Banco Master
247 - A crise envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) ganhou novos contornos políticos no Distrito Federal após o governo de Ibaneis Rocha sinalizar que o banco distrital, o BRB, poderia aportar recursos públicos para cobrir prejuízos decorrentes de operações consideradas fraudulentas.
O sociólogo, professor e gestor cultural Leandro Grass, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, disse que a sinalização do governador representa a tentativa de transferir para a população os prejuízos de operações financeiras problemáticas.
“O governo quer socializar o prejuízo de uma fraude bancária”, afirmou. Segundo ele, o uso de recursos do Tesouro local para socorrer o banco público compromete verbas que deveriam ser destinadas a políticas essenciais.
Grass ressaltou que o BRB possui papel estratégico no Distrito Federal. “O BRB é o Banco de Brasília, foi criado para induzir o desenvolvimento do Distrito Federal, a partir do crédito, do fomento, e acabou assumindo uma série de responsabilidades nas políticas públicas da capital do país”, disse. Entre elas, destacou o vínculo com o Instituto de Previdência do Distrito Federal (Iprev), responsável pelo pagamento das aposentadorias dos servidores, além da concessão de empréstimos consignados e do financiamento imobiliário.
“A quebra do BRB ou os prejuízos do BRB vão impactar diretamente a realidade social e institucional aqui do Distrito Federal”, alertou. Para ele, a eventual injeção de dinheiro público no banco representa menos recursos para saúde, educação, transporte e infraestrutura.
O sociólogo lembrou que, diante das suspeitas iniciais envolvendo a tentativa de compra do Banco Master, partidos e lideranças acionaram o Banco Central, que acabou suspendendo a operação. Posteriormente, investigações da Polícia Federal passaram a revelar novos indícios de irregularidades. Mesmo assim, segundo Grass, o governo do DF voltou a sinalizar medidas de socorro financeiro ao BRB.
“Usar recursos dos impostos dos cidadãos e cidadãs para dar sustentabilidade ao BRB em razão dessas fraudes e desses títulos podres é extremamente problemático”, afirmou. Para ele, isso confirma alertas feitos desde o início do caso. “Quem começa a pagar essa conta é o povo do Distrito Federal”, reforçou.
Na entrevista, ele afirmou não ver qualquer benefício concreto para o Distrito Federal na tentativa de aquisição do Banco Master. “Não há nenhuma razão prática de interesse do Distrito Federal. Comprar o Master não traria nenhum benefício para o povo do DF”, disse, cobrando explicações diretas do governador e da vice-governadora. “Por que vocês queriam tanto comprar o Banco Master? Até agora vocês não responderam”, questionou.
Eleições 2026
No campo político, Leandro Grass avaliou que o caso agrava a crise de credibilidade do governo do Distrito Federal. “A credibilidade do Ibaneis e da Celina [vice-governadora] já não era muito alta. Brasília vive hoje uma grave crise social”, afirmou, citando problemas na saúde pública, na educação, no mercado de trabalho e o aumento da população em situação de rua.
Segundo ele, além de expor fragilidades na gestão pública, o caso Banco Master reforça a necessidade de transparência e de responsabilização. Para Grass, as investigações devem seguir sem interferências, para que a sociedade tenha clareza sobre as decisões tomadas e sobre quem deve responder pelos prejuízos causados ao patrimônio público.


