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Mario Vitor Santos

Mario Vitor Santos é jornalista. É colunista do 247 e apresentador da TV 247. Foi ombudsman da Folha e do portal iG, secretário de Redação e diretor da Sucursal de Brasilia da Folha.

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Lula gabarita em ética no caso Master, mas é alvo da campanha de mentiras da mídia canalha

Conduta republicana do presidente é distorcida por uma cobertura midiática que prefere o ataque político à verdade dos fatos

Lula e Daniel Vorcaro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil | Divulgação/Banco Master)

Em dezembro de 2024, o presidente Lula recebeu o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com seu sócio Augusto Lima, e o economista Guido Mantega. Vorcaro apresentou os problemas, desejos e planos do banco. Fez pedidos. Lula, já durante a reunião, teve um comportamento exemplar. Determinou a Gabriel Galípolo, que assumiria a presidência do Banco Central nos dias seguintes, mas já exercia o cargo na prática, que conduzisse o assunto de maneira estritamente técnica. Lula cumpriu à risca o gabarito esperado de um presidente da República. A ordem foi obedecida por Galípolo. A venda do Master para o BRB, cercada de suspeitas de corrupção, foi vetada. Enrolado num cipoal de golpes no mercado, o banco depois sofreu intervenção extrajudicial pelo BC. 

A fonte das informações sobre a reunião com Lula, e sobre o comportamento do presidente nela, é o próprio Vorcaro, que tomou a iniciativa de ligar para o site brasiliense Metrópoles e revelá-las, procurando comprometer Lula. 

O leitor há de pensar que, ao noticiar o assunto, a mídia destacaria de forma elogiosa o comportamento “by the book” do primeiro mandatário da nação naquele encontro, quando ainda não se sabia da existência das fraudes do Master (coisa que o próprio Vorcaro alega desconhecer). 

Imaginaria que, num mundo ideal, o gesto de Lula seria elogiado em colunas e editoriais. Se houvesse um jornalismo honesto, Lula seria parabenizado por sua atitude como modelo a ser seguido por todos os servidores e autoridades da República. 

Não. A mídia hegemônica, em bloco, optou por destacar o escandaloso fato, segundo ela, de que o encontro foi “fora da agenda”.

Pior: a informação sobre a determinação de uma abordagem técnica, republicana, partida de Lula está registrada de passagem no interior dos textos, mas ficou soterrada ali, jamais merecendo destaque nas manchetes e títulos. Rompeu-se regra básica dos manuais de edição jornalística, segundo os quais os títulos devem refletir com equilíbrio o conteúdo valorativo dos textos. 

Lula e todos os presidentes e ministros recebem inúmeras pessoas, talvez a maioria, em reuniões e contatos “fora da agenda”. 

Contatos dentro e fora da agenda não dão, em si mesmos, margem a nada. Há contatos fora que exigem atitudes meritórias como a de Lula, mas que o jornalismo que se ufana de ser “profissional” não pode destacar. Porque ele não é mais jornalismo, mas lixo a serviço do antilulismo antes de tudo, mesmo que à custa da perda do compromisso com a verdade.

É este antijornalismo que nutre igualmente já a campanha voltada à criminalização das decisões dos ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e Alexandre de Moraes em torno do caso do Banco Master. Ele não vai cessar mesmo diante da constatação de que, em todos os casos, os juízes e agora Lula atuaram de forma adequada para não acobertar nenhuma irregularidade nem atrair nulidades para a investigação, como atestaram o Ministério Público e o próprio Supremo Tribunal Federal. 

A nove meses das urnas, quando a chance de reeleição é palpável, toda verdade será transmutada em mentira. Essa é a regra do jornalismo que se quer “profissional”, mas não passa, na verdade, cada vez mais, de via de mão dupla com a extrema-direita da Oeste e do Antagonista.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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