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Supremo se vê isolado e mobiliza 'salvamento' de Toffoli em meio ao polêmico caso Master

Ministros avaliam que Planalto se afasta da crise, empurra desgaste ao STF e temem precedente que fragilize a Corte

Dias Toffoli (Foto: Gustavo Moreno/STF | Divulgação/Banco Master)

247 - O Supremo Tribunal Federal (STF) vive um movimento interno de reação diante da avaliação, compartilhada por uma ala da Corte, de que o Palácio do Planalto tenta se distanciar da crise envolvendo o ministro Dias Toffoli no caso Master. Para esse grupo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria evitando o desgaste político e deixando o Supremo sozinho no centro da controvérsia, o que reforça a percepção de que o chefe do Executivo “lava as mãos” diante do problema, segundo Andreia Sadi, do G1.

Esse diagnóstico tem servido como elemento de união entre magistrados que passaram a se articular para proteger Toffoli e, ao mesmo tempo, preservar a instituição. A leitura predominante é a de que um colapso completo da situação do ministro teria impacto negativo para todo o tribunal, ao abrir um precedente considerado perigoso e ampliar a vulnerabilidade do STF em crises futuras.

Nos bastidores, ministros discutem uma saída classificada como institucional. A alternativa vista como menos danosa seria permitir que o caso desça à primeira instância, mas permaneça sob o guarda-chuva do Supremo. O objetivo seria reduzir a pressão direta sobre a Corte sem expor o tribunal a um cenário de desgaste irreversível.

Entre as hipóteses mais ousadas levantadas internamente está a possibilidade de afastamento de Toffoli, o que abriria espaço para a nomeação de um novo ministro, com eventual apoio do Centrão no Senado. Essa proposta, porém, encontra forte resistência dentro do STF, sobretudo pela avaliação de que o momento político inviabiliza uma articulação desse porte.

Ministros lembram que o governo ainda enfrenta dificuldades para aprovar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga já existente na Corte. “Se não aprova o Messias, vai conseguir aprovar outro ministro em meio a uma crise dessas?”, questionou um magistrado, em declaração literal. A avaliação é que iniciar uma nova negociação política, com a pendência atual, poderia agravar ainda mais o cenário.

Para integrantes do Supremo, o impasse deixou de ser apenas jurídico ou institucional e assumiu contornos claramente políticos. A percepção é de que o Planalto instrumentaliza o STF conforme a conveniência e se afasta quando o custo aumenta. É esse entendimento que sustenta a mobilização interna para o chamado “salvamento” de Toffoli, visto por parte da Corte como uma estratégia de autopreservação institucional diante de um ambiente de tensão crescente.

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