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Denise Assis

Jornalista e mestra em Comunicação pela UFJF. Trabalhou nos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Ex-assessora da presidência do BNDES, pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de "Propaganda e cinema a serviço do golpe - 1962/1964" , "Imaculada" e "Claudio Guerra: Matar e Queimar".

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Lula organiza chapas pelos estados, para iniciar campanha

Para Lula, fundamental agora é ser fiel às pautas de interesse social e organizar e azeitar palanques regionais

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
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Enquanto a mídia se debruça, e com razão, sobre o caso Master e seus desdobramentos políticos, o presidente Lula trabalha pautas de interesse dos trabalhadores (motivo da existência do partido que fundou), como o fim da escravizante escala 6X1, travada no Senado. Para Lula, fundamental agora é ser fiel às pautas de interesse social e organizar e azeitar palanques regionais, para quando a campanha vier para valer encontrar chapas consistentes e com real possibilidade de vitória em estados com o peso de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, por exemplo.

Para reforçar o time paulista na disputa pelo governo, o presidente e pré-candidato à reeleição destinou o advogado e coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, como coordenador da campanha, bem como escolheu a ex-ministra Simone Tebet (MDB) para compor a chapa, candidatando-se ao Senado. O mesmo fez com a ex-minitra Marina Silva (Rede) e ambas estão liderando as pesquisas, o que é um impulso e tanto para o candidato Fernando Haddad (PT).

Sobre Pernambuco, o cipoal está formado e o presidente, pré-candidato à reeleição em outubro, terá que usar toda a sua habilidade política para “pacificar” a eleição local. Basta dizer que João Campos (PSB) perdeu, nos últimos meses, quarenta pontos percentuais de diferença que mantinha para com Raquel Lyra. 

O que se tem no momento é a chapa formada por João, com Marília Arraes e Humberto Costa (PT), sendo ele um nome tradicional e de peso no partido, com prioridade de reeleição para Lula e o PT. No estado a perspectiva é a de dois palanques para reforçar as chances de sua reeleição.

Raquel Lyra (PSD) - atual governadora -, ainda não tem definida a chapa de senadores. Flerta com Túlio Gadelha, para dar viés de esquerda ao seu palanque, ao mesmo tempo que estimula a que Eduardo da Fonte (PP) e Miguel Coelho (UB) disputem a outra vaga pela federação que as duas legendas integram.

 A definição da Federação União Progressista deve vir no dia 28. A vontade de Lyra, visivelmente, é por Miguel, mas o comando da federação no estado está com Eduardo da Fonte. A briga entre ambos é grande.

Lula deve se manter afastado de Pernambuco neste primeiro turno, embora Raquel Lyra, para segurar uma fatia dos bolsonaristas, não tenha manifestado apoio público a ele. Lula, porém, faz tudo para evitar atrair a oposição dela ao nome dele, pois precisa de votos.

Mais enrolado ainda, em Pernambuco, está o bolsonarismo, que até o momento não apresentou nome para o palanque no estado. Alguns deles, que abandonaram o PL, como o ex-ministro Gilson Machado, defendem total apoio a Raquel e acreditam que qualquer palanque favoreceria João Campos porque tiraria votos dela e empurraria a eleição para um segundo turno.

Um dos artífices dessa tecitura é o deputado federal Pedro Campos (PSB), irmão de João, o atual prefeito de Recife. Pedro tenta organizar com o PL um palanque no estado que evite que a eleição se resolva no primeiro turno em favor de Raquel. Aos que mostram as pesquisas e tendências, a coisa está rumando para isso. Até o momento, só três candidatos se apresentaram para o pleito: Raquel, João e Ivan Moraes, do PSol, com 2%. Se a governadora continuar crescendo na proporção que vem, a tendência é ela ganhar no primeiro turno. Por isso Lula se resguarda. Quanto a Minas, é outra história. Conto depois.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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