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Ricardo Nêggo Tom

Músico, graduando em jornalismo, locutor, roteirista, produtor e apresentador dos programas "Um Tom de resistência", "30 Minutos" e "22 Horas", na TV 247, e colunista do Brasil 247

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Magno Malta e a violência dos homens da extrema direita contra as mulheres

"Teria a profissional se recusado a injetar pinga na veia do nobre senador?", ironiza Ricardo Nêggo Tom

Magno Malta (Foto: Reprodução)

Após ter sido acusado de agressão por uma enfermeira do hospital onde se encontra internado em Brasília, o senador Magno Malta veio a público através de suas redes sociais, desmentir a acusação e sugerir que tudo não passa de uma armação da esquerda para destruir a sua reputação. Como se ele mesmo já não fizesse o suficiente para destruí-la. Segundo relatos da funcionária, o parlamentar bolsonarista teria dado um tapa em seu rosto, o que teria entortado seus óculos, e a chamado de “imunda” e “incompetente”, em função de uma intercorrência durante um procedimento. Fato que ele nega, chama de “fake News”, classifica como injustiça e diz que quem o conhece sabe que ele só faz o bem e que jamais agrediria uma mulher

Magno Malta - que agora se diz injustiçado e vítima de fake News - é um conhecido criador de factoides e disseminador de mentiras em sua vida pública. Como uma falsa acusação de pedofilia que resultou na prisão de um motorista de ônibus em 2009, quando o senador presidia a CPI da pedofilia. Segundo matéria do The Intercept Brasil, de 2018, Luiz Alves de Lima – o motorista acusado por Malta de ter violentado a própria filha, relata que “sua filha tratava, em um hospital público, uma infecção por oxiúro, parasita que pode provocar coceira e irritação vaginal. Um médico suspeitou de abuso sexual e chamou o Conselho Tutelar.”  Ele e sua esposa foram presos preventivamente, e Magno Malta, então exercendo seu primeiro mandato como Senador, foi até a delegacia para interrogá-lo e criar um caso de pedofilia para a sua CPI.

O motorista conta que após a presença de Malta na delegacia, ele sofreu uma sessão de tortura e que a ordem teria sido dada pelo senador. Sua esposa e mãe da menina, foi liberada após 42 dias de detenção, mas ele seguiu preso injustamente por nove meses. Deixando a cadeia em 2010 cego do olho direito, e apenas com 25% de visão no olho esquerdo. Segundo outro trecho da mesma matéria do Intercept Brasil, “decidido a provar sua inocência, correu atrás de médicos e laudos e comprovou que a menina tinha oxiúro, fato ignorado no exame clínico que o incriminou. O processo foi encerrado em julho de 2016, quando a Justiça o absolveu de todas as acusações, uma vez constatada a integridade do hímen da filha.”

Como se pode constatar, Magno Malta é um sujeito perigoso e capaz de tudo para justificar as suas “verdades” e se beneficiar politicamente delas. Agora, ele tenta mais uma vez destruir a vida de mais um membro da classe trabalhadora para escapar da acusação de violência que lhe foi feita. Ao se filmar num leito hospitalar cheio de eletrodos na cabeça, o senador repete uma estratégia muito utilizada pela extrema-direita, que é a da vitimização diante de um estado de saúde considerado mais frágil. Bolsonaro cansou de fazer isso, exibindo seu bucho esfaqueado ou andando com dificuldade pelos corredores do hospital. Para além da vitimização, Magno Malta acusa a profissional de enfermagem de ter feito uma falsa acusação de crime, algo que ele sabe muito bem como fazer, como no caso do motorista de ônibus que teve a vida destruída por ele.

Alguém acha mesmo que uma simples enfermeira iria fazer uma acusação desta gravidade contra um Senador da República? E alguém sóbrio e em sã consciência, acha que um homem capaz de inventar que um pai estuprou uma filha só para ganhar o título de combatente da pedofilia, não seria capaz de dar um tapa no rosto de uma pessoa? Não estou dizendo que ele o fez. Estou apenas analisando o contexto histórico de uma figura marcada por controvérsias na vida pública. Vale lembrar que ao ser internado, o senador - que também é conhecido por suas falas "etílicas" e "ébrias" - alegou estar sendo vítima de um ataque espiritual, após ter sido abordado por um homem no estacionamento do Senado, e desmaiado logo em seguida. O homem se chamava Pirassununga, e vestia uma camisa com o número 51, onde se lia: “boa ideia”

É a batalha espiritual que alguns precisam travar contra o espírito da "marvada", contra a "caninha do diabo" e a "cachaça de satanás". A "manguaça" diabólica que embriaga, alucina e faz o homem se ajoelhar diante de pneus, invocar alienígenas para defender o seu país e entregar a alma para um messias miliciano que não faz milagre. Mentiroso contumaz, o referido senador já se gravou saindo de um bar na Itália, dizendo que estava saindo do presídio em que Carla Zambelli estava presa. Mesmo traído pela fachada do bar que aparecia no início da filmagem, ele sustentava que acabara de sair do presídio, e que havia levado a palavra de Deus à então deputada.

O fato é que esta enfermeira precisa ser protegida, ou enfrentará o mesmo processo que destruiu a vida do motorista de ônibus que Magno Malta acusou de pedofilia. Ao afirmar que “é uma mentira, e não sei qual a intenção dessa pessoa ao fazer esta acusação.”, ele tenta criminalizar a suposta vítima frente a opinião pública, aludindo a uma possível armação política contra ele. Ele também exige que o hospital tome providências quanto ao fato, o que nos faz deduzir que a profissional pode perder o emprego, e sair ainda mais prejudicada de toda esta situação. Bem fez Calígula, quando nomeou o seu cavalo como senador. O doce Incitatus nunca deu coice na cara de ninguém, e nem saia espalhando fake news pelo Império Romano. Acho que está na hora de termos mais cavalos e menos bolsonaristas no Senado. Os equinos são mais civilizados e menos mentirosos. Além de só beberem água mesmo.  

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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