Malu Gaspar requenta processo para simular novidade
Repetição de um litígio antigo é apresentada como escândalo em expansão para alimentar narrativa sensacionalista e gerar cliques
Malu Gaspar continua batendo na tecla do Banco Master como se fosse o escândalo do século, mas, olhando de perto, o que ela faz é requentar o caso e esticá-lo em várias matérias para dar a impressão de que há uma avalanche de novidades.
A essência é simples: o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes (esposa do ministro Alexandre de Moraes) representou o Banco Master e Daniel Vorcaro em uma única ação conhecida — uma queixa-crime por calúnia e difamação contra Vladimir Joelsas Timerman, da Esh Capital. E ponto.
Essa ação nasceu em 2024, protocolada em outubro daquele ano, depois que Timerman (o “ex-jogador de rúgbi”, como alguns chamam por aí) denunciou supostas irregularidades na Gafisa envolvendo Nelson Tanure e possíveis ligações com fundos/offshores que teriam tocado no Master.
O objetivo da queixa era desqualificar as acusações de Timerman, alegando crime contra a honra. Resultado? Perda total: rejeitada em primeira instância (setembro de 2025), mantida pelo TJ-SP (outubro de 2025), embargos negados (dezembro de 2025) e acórdão publicado em janeiro de 2026, com condenação em honorários sucumbenciais para o Master e Vorcaro.
Malu Gaspar dedicou uma coluna inteira a isso: “A derrota da mulher de Alexandre de Moraes na defesa do Banco Master”. Até aí, ok — notícia é notícia.
Mas aí vem o truque: na matéria de janeiro de 2026 sobre o inquérito de insider trading (Tanure e Gilberto Benevides na Gafisa, remetido a Dias Toffoli), ela destaca que o Master é “parte interessada” e representado pelo mesmo escritório.
Pronto: parece que são “dois casos”, que Viviane “atua em mais um”, que o conflito de interesses é iminente se chegar ao Plenário do STF. Mas vamos aos fatos: é o mesmo litígio de fundo.
As denúncias de Timerman à CVM (desde 2023) sobre manipulações na Gafisa (inflação de valores, offshores, fundos ocultos) deram origem ao inquérito criminal do MPF (denúncia em dezembro de 2025).
A queixa-crime contra ele foi exatamente uma reação para tentar calar ou desacreditar essas denúncias. O Master não é réu principal no inquérito de insider trading (Vorcaro e o banco aparecem como terceiros interessados por conexões via gestoras como Trustee e Planner, já investigadas na Compliance Zero), mas a defesa de Tanure alegou ligação com o caso Master para justificar a remessa ao STF.
O escritório de Viviane continua representando o Master como interessado — natural, já que o conflito é o mesmo: Gafisa/Tanure/Timerman/fundos/Master. Dividir isso em “dois processos” é requentar o mesmo enredo para sustentar a narrativa de “escândalo em expansão”.
Na prática, Viviane atuou em uma causa principal (a queixa perdida) e acompanha o inquérito derivado dela como parte interessada. Não há “nova atuação” bombástica, nem prova de múltiplas frentes. É o mesmo universo, o mesmo litígio acionário-financeiro que já dura anos.
O que incomoda é o tom sensacionalista: “mulher de Moraes atua em caso enviado para Toffoli”, “potencial conflito se chegar ao plenário”. Mas o Master não é réu no inquérito principal (Toffoli cuida do caso Master em si), e a representação como terceiro é padrão em disputas conectadas.
Enquanto isso, o bolsonarismo pula de alegria com a “novidade”, memes rolam soltos, e o debate vira caça às bruxas contra o STF. Mas, tirando o barulho, o que resta é um processinho perdido em 2024 e requentado em 2026 para render mais cliques e colunas.
Viviane defendeu um cliente em uma causa — e perdeu. O resto é firula para ter o que falar. Dividir o mesmo caso em capítulos para criar drama só alimenta narrativas polarizadas. O jornalismo precisa de fatos, não de reciclagem.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



