Cúpula do Congresso avalia cenário adverso para CPI do Banco Master
Resistência de lideranças, ano eleitoral e articulações no Centrão dificultam avanço de comissão mista no Legislativo
247 - A criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master enfrenta um ambiente político considerado desfavorável no topo do Congresso Nacional. Lideranças avaliam que a combinação de resistências internas, calendário eleitoral e disputas de bastidores tem reduzido as chances de avanço imediato da iniciativa, mesmo com assinaturas já reunidas. As informações são do G1.
O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), tem demonstrado pouca disposição para autorizar a abertura da comissão. A avaliação final sobre a viabilidade da CPI deve ocorrer apenas após o recesso parlamentar, com a retomada das atividades em fevereiro.
No âmbito da Câmara dos Deputados, os requerimentos para instalação de CPIs seguem uma fila de tramitação, o que naturalmente tende a atrasar o processo. Já no caso de uma CPI mista, que reúne deputados e senadores, o entendimento regimental é distinto. Há precedentes no Congresso Nacional de que não existe fila para CPIs mistas: basta a leitura do pedido em sessão do Congresso para que a comissão seja oficialmente instalada.
Um dos caminhos apontados nos bastidores para postergar o andamento do processo seria justamente atrasar a convocação de sessões do Congresso Nacional. Sem sessão, o requerimento não é lido e, sem a leitura, a CPI não se concretiza. Esse expediente permitiria adiar indefinidamente a criação da comissão mista, mesmo com os requisitos formais atendidos.
Apesar disso, há um precedente relevante do Supremo Tribunal Federal (STF) que limita esse tipo de manobra. Durante a CPI da Covid, a Corte decidiu que, uma vez cumpridas as exigências regimentais, a instalação da comissão é obrigatória após a leitura do requerimento em sessão do Congresso. À época, o próprio g1 destacou que o STF considerou ilegal qualquer tentativa de impedir a criação da CPI nessas condições.
Ainda assim, interlocutores do Congresso avaliam que a presidência da Casa pode tentar utilizar o adiamento das sessões como estratégia para retardar a abertura da CPMI do Banco Master. A leitura predominante é de que o contexto político atual dificulta qualquer avanço. O fato de 2026 ser um ano eleitoral pesa contra a instalação de comissões de inquérito, que costumam tensionar o ambiente político e travar a agenda legislativa.
Há também a percepção de que, para o Executivo, mesmo CPIs que não tenham o governo como alvo direto são vistas como indesejáveis neste momento. O argumento recorrente é que essas comissões acabam contaminando o debate político e desviando o foco das pautas prioritárias do Congresso.
Nos bastidores, porém, parlamentares apontam um fator considerado central para a resistência: a atuação de uma bancada ligada ao empresário Daniel Vorcaro. Segundo relatos, ele manteve relações próximas com lideranças influentes, especialmente no Centrão. Esse grupo tem se mobilizado, inclusive durante o recesso parlamentar, para tentar barrar a instalação da CPI, apesar de já existirem assinaturas suficientes tanto na Câmara quanto no Senado para viabilizar a comissão.


